Alunos insatisfeitos com o processo de acesso à rede na escola

A maioria dos alunos portugueses está insatisfeita com o modo como pode utilizar a Internet na escola.

A maioria dos alunos portugueses (58 por cento) está insatisfeita com o modo como pode utilizar a Internet na escola, tendo como principais reivindicações mais computadores, maior velocidade e livre acesso ao equipamento. Segundo um estudo levado a cabo por alunos da licenciatura de Informática de Gestão da Universidade Fernando Pessoa e coordenado por Álvaro Rocha, em 55,2 por cento dos casos os alunos necessitam de se inscrever previamente para utilizar os terminais, ocorrendo o livre acesso em apenas 27,8 das situações. O estudo, com o objectivo de avaliar o Programa Internet na Escola, lançado em 1996 pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia, assenta nas respostas contidas em 631 inquéritos, dos quais apenas 541 foram considerados válidos, apresentados a alunos do Secundário e do 3/o Ciclo do Básico de oito escolas dos concelhos de Caminha, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Barcelos e Braga. Apesar do descontentamento da maioria dos alunos, apenas 0,4 por cento nunca ouviram falar da Internet. Inquiridos sob a forma como tomaram conhecimento da rede, apenas 12,8 por cento referem a escola como fonte dessa informação, sendo a televisão (45,2 por cento dos casos) e amigos e familiares (36,3 por cento) os veículos privilegiados desse conhecimento. A escola foi, no entanto, o primeiro local de acesso à Internet para 41,6 por cento dos inquiridos e continua a ser o local de entrada na rede mais frequente em 40,8 por cento dos casos. Na escola, a maioria dos alunos utiliza a Internet sobretudo para navegar (47,4 por cento), para aceder a serviços de “chat” (29,1 por cento) e para trocar correio electrónico (19,4 por cento). Quanto aos conteúdos, os jogos, a música, as anedotas e o desporto são os preferidos pelos cibernautas estudados, sendo que os conteúdos pedagógicos só atraem habitualmente 4,4 por cento dos alunos, um valor inferior ao dos sites eróticos ou pornográficos (5,3 por cento). Na lista dos 20 sites preferidos pelos alunos predominam os motores de busca e não faltam referências a endereços como os do Big Brother, Acorrentados, Playboy ou Napster. Na escola, a maioria dos alunos (54,5 por cento) liga-se à Internet menos de uma hora por semana, sendo a tarde o período preferido por 36 por cento dos alunos. A esmagadora maioria dos alunos (83,3 por cento) não possui uma página pessoal na Web e apenas 9,6 por cento já participaram na construção de site Web de teor pedagógico. Mais de metade dos alunos (53,5 por cento) inquiridos desconhecem o programa “Internet na Escola”, um projecto que se insere no quadro das iniciativas do Governo orientadas para a Sociedade da Informação. O ministro da Ciência e da Tecnologia, Mariano Gago, manifestou recentemente a convicção de que, até ao final de 2001, todas as escolas do primeiro ciclo do ensino básico do País já estarão on line, o que completa um processo iniciado em 1997 com as escolas dos segundo e terceiro ciclos e do secundário.