Cartões recarregáveis em extinção no Brasil?

Os telemóveis com cartões recarregáveis podem ter os dias contados. Tudo por causa do alto índice de criminalidade.

No entanto, esta medida não está – nem pode – ser muito bem aceite pelos operadores. É que 95% das receitas das comunicações móveis no Brasil provêm, precisamente, das chamadas pré-pagas de telemóveis. Um autêntico dilema para as autoridades brasileiras, que não conseguem ultrapassar este impeditivo informático.

Como não é possível detectar as chamadas efectuadas a partir destes telemóveis, o governo brasileiro decretou estes telefones celulares como “instrumento de crime”. Por essa razão, o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, o director da Anatel (instituto regulador de telecomunicações), Renato Guerreiro e o ministro das Comunicações, João Pimenta da Veiga, vão reunir-se para discutir o assunto.

A proposta de banir os telemóveis recarregáveis do mercado foi uma das 13 ideias apresentadas pelo Governador do Estado de São Paulo, logo após o rapto e o brutal assassinato do prefeito de Santo André, na região da grande São Paulo.

Em relação aos operadores de telecomunicações móveis, ainda não houve nenhuma reacção a estas medidas propostas pelo governador paulista. No entanto, a sua posição deve ser acautelada, uma vez que estão em causa valores demaisado altos. A Telesp Celular, por exemplo, o maior operador da região de São Paulo, com cinco milhões de clientes, tem dois terços de utilizadores com telemóveis recarregáveis. Ou seja, uma grossa fatia do bolo das receitas são, precisamente, de aparelhos que o Estado acabou por considerar “instrumento de crime”.

Segundo o analista em telecomunicações do Credit Suisse First Boston, Andrew Campbell, “a solução tem que passar por outras medidas e não por banir as chamadas pré-pagas. As consequências para o sector seriam drásticas”.

A solução poderá passar por alterar informaticamente o sistema e permitir a localização das chamadas. Mas isso tem custos para todos os operadores e estes podem não estar financeiramente disponíveis para  suportar. E o governo muito menos.