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Chamadas telefónicas têm margem para descer

Aparecimento do segundo operador da rede fixa vai gerar nova «guerra de preços»

Aparecimento do segundo operador da rede fixa vai gerar nova «guerra de preços» (…) Segundo afirmou à “Vida Económica” Nogueira Leite, secretário-geral da APRITEL, a implantação do sistema de tarifação ao segundo permitirá compensar a taxa de activação e reduzir os custos das chamadas nacionais e internacionais. Tarifas estas que apresentam custos superiores à média europeia. A evolução tecnológica torna possível a baixa do custo das ligações efectuadas na rede fixa e a consequente aproximação às tarifas praticadas nos outros países. Pelo menos esta é a opinião de Nogueira Leite, secretário-geral da Associação dos Operadores Privados de Telecomunicações (APRITEL). “Através da comparação das tarifas portuguesas com as estrangeiras só nos resta concluir que ainda existe espaço para descidas, no actual estado da tecnologia”, refere Nogueira Leite. No que se refere às diferenças elevadas de tarifas entre as ligações locais e nacionais, o secretário geral da APRITEL lembra que os custos de implementação de uma rede local são “tendencialmente mais caros, na medida em que existem maiores barreiras em termos de autorizações para a colocação da infra-estrutura”. De qualquer forma, as chamadas de longa distância em mercados mais avançados revelam flat rates, independentes das distâncias, pois, “a partir do momento em que a infra-estrutura esteja instalada, levar um bit de voz custa sensivelmente o mesmo quer se percorra uma distância de 5 quilómetros ou de 300 quilómetros”. Por exemplo, nos Estados Unidos, existem operadores que oferecem tarifas de longa distância (até 5000 quilómetros) a cerca de 10$00 por minuto. (…) Desta forma, Nogueira Leite defende que existem possibilidades das tarifas baixarem. Este secretário geral salienta que isto vai ser possível assim que o mercado esteja liberalizado, com o surgimento de novos operadores e novos serviços. Concretamente refere: “Em princípio, dado o mercado de longa distância ser o de mais fácil entrada, o primeiro efeito será nessas tarifas”. Nogueira Leite salienta ainda que o preço a pagar pelos portugueses será o que resultar do mercado liberalizado. Neste âmbito, o secretário-geral da APRITEL refere que a Portugal Telecom não vai poder ficar indiferente às pressões que se vão fazer sentir em segmentos específicos, como o empresarial. (…)

PREÇOS DAS LIGAÇÕES EM VÁRIOS PAÍSES DA UNIÃO EUROPEIA
Local 60 seg. Nacional 60 seg.
Alemanha 7$17 –
Áustria 54$13
Bélgica 24$57
Dinamarca 8$92 12$57
Espanha 75$64
Finlândia 13$50
França 18$80
Grécia 7$65 53$55
Irlanda 24$53
Luxemburgo 5$46
Portugal 17$00 59$50
Suécia – Tele 2 17$19
Suécia – Telia AB 17$19
Dados fornecidos pela APRITEL, com valores em escudos, sem IVA.

Por Maria José Brites, Edição de 11 de Dezembro de 1998