Cimeira sobre Sociedade da Informação

Peritos discutem formas de superar fosso digital entre países ricos e pobres.

“Actualmente, existem mais ligações à Internet em Manhattan do que no conjunto do continente africano”, indicou o subsecretário da União Internacional das Telecomunicações (UIT), Shashi Tharoor, na abertura da reunião que se prolonga até sexta- feira em Genebra. Esta é a primeira de uma série de três reuniões preparatórias destinadas a seleccionar as questões que deverão ser analisadas na Cimeira sobre Sociedade da Informação que se realizará em duas fases: a primeira em Genebra em Dezembro de 2003 e a segunda em Tunes em 2005. Tharoor afirmou no seu discurso que o mundo entrou numa era da “revolução da informação”, na qual existe “muita liberdade, pouca fraternidade e nenhuma igualdade”. Assim, sublinhou, enquanto os Estados mais ricos da população dispõem de várias linhas, fixas e móveis, pessoais e privadas, nos países pobres apenas uma minoria dispõe de electricidade ou telefone. Segundo o subsecretário da UIT, os reptos da Cimeira devem ser promover um acesso à informação mais amplo, livre e justo nos países em vias de desenvolvimento, o que significa melhorar as suas infra- estruturas e compartilhar com eles os avanços tecnológicos dos mais desenvolvidos. O chamado “fosso digital”, ou seja o desfasamento entre ricos e pobres em matéria de tecnologias da informação, não designa apenas diferenças entre países mas também entre regiões, comunidades e estratos sociais. O secretário de Estado das Comunicações do Governo suíço, Marc Furrer, destacou na sua intervenção a necessidade de recorrer a parcerias com o sector privado e a sociedade civil, sublinhando que não são os Governos que constroem linhas telefónicas ou desenvolvem as aplicações das telecomunicações. No entanto, as organizações governamentais presentes na reunião, que conta com 600 delegados de mais de uma centena de Governos, expressaram num comunicado conjunto a sua preocupação pela crescente privatização dos sectores das telecomunicações e das tecnologias da informação. “Os frutos da criatividade humana, desde as escolas aos meios de comunicação, passando pelas medicinas indígenas e a música, estão a ser privatizados, ficando a sua propriedade concentrada nas mãos de poucos e o acesso limitando apenas aos que podem pagar”, assinala o documento.