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Computadores com sentimentos

O sonho ou pesadelo de que um dia os computadores tenham sentimentos próprios e reconheçam emoções alheias pode concretizar-se num futuro próximo, disseram cientistas em Viena no simpósio “As Emoções no Homem e nas Máquinas”.

«Viena, 25 ago (Lusa) – O sonho ou pesadelo de que um dia os computadores tenham sentimentos próprios e reconheçam emoções alheias pode concretizar-se num futuro próximo, disseram cientistas em Viena no simpósio “As Emoções no Homem e nas Máquinas”. A revelação foi feita terça-feira por Robert Trappl, director do Instituto Austríaco de Investigação da Inteligência Artificial, que há anos estuda essa hipótese. “Desenvolvimento e aplicação de sistemas inteligentes com componentes ’emocionais'” é o título de um novo projecto do citado Instituto que conta com o apoio do Ministério da Ciência. “Recentes investigações científicas de diversas áreas mostram claramente que a racionalidade e o emocional estão interligados entre si e, de modo nenhum, são princípios contraditórios, mas, até certo ponto, complementares”, explicou Trappl, no final da reunião internacional realizada na capital austriaca. “É natural que essas conclusões baseadas, entre outras, em observações médicas de doentes com ferimentos cerebrais, levem os cientistas a tentar abrir a inteligência artificial ao mundo das emoções”, acrescentou. Além disso, os peritos acreditam existirem razões muito práticas para dar esse passo já que vários estudos demonstram que as pessoas que passam demasiado tempo em frente dos “computadores sem emoções” perdem parte da sua capacidade de registar ou captar os sentimentos dos demais humanos. Essas observações coincidiram com o receio generalizado de que o computador leve o ser humano à solidão, mas futuramente isso poderá ser evitado caso os aparelhos tenham a capacidade de reconhecer ou exprimir sentimentos, referem os cientistas. Segundo Trappl, no futuro poderão existir hipoteses de dar aos computadores a capacidade de registar as emoções das pessoas que os utilizam. Através de uma camara de televisão poderá ser analisada a expressão do rosto, enquanto que, medindo diferentes parâmetros fisiológicos, como a frequência cardíaca ou a resistência da pele, assim como a força ou a frequência com que se ataca o teclado, o computador poderá tirar as suas conclusões sobre o estado de espírito do seu utilizador. Para que a máquina possa exprimir os seus +sentimentos+, o cientista realçou a possibilidade de instalar os chamados “agentes” como sejam, os programas especiais de “software” e uma “estrutura de personalidade emocional” que cumpram determinadas funções de forma autónoma. O desenvolvimento deste tipo de “agentes” é um dos campos ao qual se dedica há vários anos o Instituto austríaco dirigido por Trappl que, por outro lado, anunciou a publicação para breve dos resultados do simpósio internacional sobre este tema. Os cientistas esperam também que, mediante a integração dos “aspectos emocionais”, se consiga um aumento da eficácia geral de todos os programas inteligentes (artificiais), concluiu.»