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Coro de protestos contra PT

Aumento é “imposto disfarçado”, acusa o CDS/PP. Empresa defende-se com pacote económico.

Aumento é “imposto disfarçado”, acusa o CDS/PP. Empresa defende-se com pacote económico A proposta de aumento dos preços das chamadas locais desencadeou ontem uma onda de protestos. “Portugal já tem das chamadas mais caras da Europa”, queixam-se os consumidores; “É um imposto disfarçado de aumento”, argumentam os políticos. A Portugal Telecom defende-se com o pacote económico, que “dá grandes descontos a mais de metade das famílias portuguesas”. “O aumento das tarifas de comunicações telefónicas irá sobrecarregar as chamadas locais, o essencial da despesa telefónica dos clientes residenciais, penalizando os orçamentos familiares”, diz o PCP, que pediu já uma reunião de urgência com Leonor Coutinho, secretária de Estado da Habitação e Comunicação, e o ICP para esclarecer a situação. O CDS/PP também não concorda com o aumento, “um imposto disfarçado”, e quer ouvir o ministro do Equipamento, João Cravinho. Para João Morgado, secretário-geral da Deco, a taxa de activação é “ilegal” e a subida do preço das chamadas locais, as mais frequentes, vai pesar no bolso das famílias. Mas o processo não está fechado. “As associações de consumidores têm uma palavra final a dizer na aprovação do novo tarifário”, diz Mário Frota, da Associação Portuguesa do Direito do Consumo, em jeito de aviso. A Portugal Telecom contra-ataca. “Cerca de 1,2 milhões de residências são abrangidas pelo pacote económico”, ou seja, “mais de metade dos clientes residenciais”, explicou ao DN Luís Figueira, da operadora de telecomunicações. Esta modalidade, que custou cinco milhões de contos à empresa no ano passado, permite aos clientes que gastam menos de 167 impulsos telefónicos num mês usufruirem de um desconto de 30,8 % no preço das chamadas e de 8,5 % na assinatura. A operadora de telecomunicações faz ainda bandeira com a introdução, a partir do segundo semestre deste ano, da facturação ao segundo, com a qual “o cliente só paga o que fala”. O presidente do Instituto de Comunicações de Portugal (ICP), Luís Nazaré, referiu ao DN que, “efectivamente, o ideal seria que os preços baixassem em todos os segmentos, mas as chamadas locais portuguesas estão já entre os valores mais baixos da Europa, pelo que compreende-se a decisão da Portugal Telecom”. No entanto, as conclusões da OCDE e da Comunidade Europeia não estão em sintonia, e referem, pelo contrário, que os portugueses estão entre os que pagam mais de telefone. A diferença de pontos de vista têm uma explicação simples: é que os números do ICP são valores absolutos, não têm em conta as grandes disparidades no poder de compra em cada país. 14/12/1999 Por Ricardo Salvo