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Dossier Especial «O Radioamadorismo em Portugal.» Continuação…

Testemunhos do GPDX, Grupo Português de DX, da ARPA, Associação de Radioamadores da Planície Alentejana e da ARBA, Associação de Radioamadores da Beira Alta. Ligações recomendadas

O Telemoveis.com entendeu importante auscultar outras associações de radioamadores além da REP, Rede de Emissores Portugueses (vede o artigo anterior), sobre as actividades que desenvolvem e a leitura que fazem do estado actual do radioamadorismo no nosso país. Leia abaixo os testemunhos das que se mostraram imediatamente dispostas a colaborar (informação recolhida durante o Verão): GPDX, Grupo Português de DX, ARPA, Associação de Radioamadores da Planície Alentejana e ARBA, Associação de Radioamadores da Beira Alta.

GPDX, Grupo Português de DX

Telemoveis.com: Quantos sócios tem a associação?

GPDX: Temos 80 sócios, nacionais e internacionais.

Que actividades têm programadas que considerem de interesse divulgar?

Temos acções nos Castelos e Fortalezas de Portugal , válidas para o DCFP-Diploma Castelos e Fortalezas de Portugal , participação nos Concursos Internacionais. Participação em Feiras da Rádio e colaboração com a REP em todas as actividades em que ela participe.

Qual o vosso balanço do estado do radioamadorismo no nosso país?

Neste momento em algumas modalidades encontra-se um pouco parado, na modalidade que os membros do GPDX se dedicam, o DX, a comunicação a longa distância, está activa com Países e Ilhas a serem contactadas, pois neste período de férias existem muitas expedições .

Que acções acham prioritárias para a defesa e promoção da actividade radioamadora? Isto é, se dependesse de vós, que medidas tomariam?

A divulgação, informação e promoção de todas as actividades dos radioamadores, informar a população que somos diferentes dos utilizadores da Banda do Cidadão, a ajuda de radioamadores em locais que ocorreram acidentes ou catastrofes. A medida informativa sobre o radioamadorismo.

Nomeadamente, consideram a proliferação de serviços “wireless” como um problema no tocante à poluição das frequências? Se sim, em que medida? ´

Os serviços wireless não interferem nas nossas frequências de amador, mas até esta data , no presente o que se torna preocupante é o serviço da TV Cabo interferir ao ponto de anular completamente repetidores de VHF que podem salvar vidas em caso de necessidade, (ex. R6 – Montejunto; 145.750 Mhz).

Que opinião têm do processo de obtenção das cartas de radioamador e do correspondente exame de atribuição pela Anacom tendo também presente que não existem – que se saiba – cursos de preparação?

Cursos de preparação, bons na teoria, a pratica só na realidade , escutar muito e falar depois . Achamos que seria importantes esses Cursos e para além disso houvesse a possibilidade de os jovens com pelo menos 12 anos tivessem possibilidades de fazer exame de Amador (como noutros países não só USA mas até países da antiga URSS) para não se dedicarem a outras coisas mais prejudiciais. Seria bom também poderem existir Clubes Jovens nas Escolas, Universidades, nos Escuteiros, etc.

Assistiu-se nos últimos anos à proliferação do número de associações de radioamadores. Que opinião tem disso? Será que a desunião não diminui a força do radioamadorismo?

O associativismo depende dos serviços prestados por essa associação , a união dos radioamadores aparece em caso de necessidade .

Será que modernamente o radioamadorismo ainda pode contribuir para o progresso e inovação científicos? Em que medida?

Em todos os sentidos, ex: o satélite PC-Sat criado e montado por radioamadores e não só, software criado e testado por radioamadores e dai as grandes empresas tiram os dados que precisam para criar o seu software especifico. E circula na Internet que o próximo voo até Marte , a nave vai estar equipada com frequências de amador (144 Mhz e 1 Gh). Isto tudo gratuito e voluntarioso da parte dos radioamadores .

No plano lúdico, a Internet não terá vindo satisfazer alguma da motivação de quem se dedicava ao radioamadorismo? Será que ao ponto de ameaçar o seu futuro?

O radioamador ficou mais completo ao ter acesso facilitado à Internet, tem a possibilidade de trocar opiniões, sugestões com outros radioamadores nacionais como internacionais, a informação circula mais depressa, à uma oferta maior de software e hardware. Não vai ameaçar o radioamadorismo .

Acrescente p.f. qualquer comentário que entenda pertinente.

O radioamador é um individuo que se adapta às situações , consegue transmitir em voz , dados ou imagem , seja através de repetidores, nodes digitais ou repetidores de TVA (Televisão de Amador) ou directamente , o necessário para informar outro radioamador de qualquer situação , o radioamador possui equipamento para operar com/ou sem energia eléctrica , possuímos baterias , geradores ou painéis solares , possuímos equipamentos de base , móvel ou portátil de modo a termos meios de transmitir .

A Direcção do GPDX
gpdx@mail.telepac.pt

ARPA – Associação de Radioamadores da Planície Alentejana

Telemoveis.com: Quantos sócios tem a associação?

ARPA: Actualmente existem 22 sócios efectivos. Para uma listagem detalhada, veja http://www.qsl.net/arpa/associa.htm

Que actividades têm programadas que considerem de interesse divulgar?

Neste momento a nossa maior aposta é a construção da nossa estação clube, especialmente dedicada para operação durante concursos de rádio. No entanto, devido à sua localização (na Serra do Mendro, próximo da Vidigueira, na fronteira entre os distritos de Beja e Évora), e às condições logísticas existentes, existe potencial para realizar outro tipo de actividades. Neste momento já está instalado um repetidor de fonia em UHF, um repetidor digital para APRS, e um repetidor de SSTV (que actualmente está fora de serviço devido a avaria, mas que muito em breve estará de novo no ar). Paralelamente o espaço também irá ser usado como local de convívio entre os membros da nossa associação e, eventualmente, para encontros inter associações. Será ainda também usado como sede efectiva da ARPA, para o efeito de reuniões, assembleias-gerais, etc. Estamos também a estudar a possibilidade de partilhar a estação como outros amadores e/ou associações, especialmente durante a realização dos referidos concursos. Já fizemos uma experiência e oportunamente iremos divulgar as condições de utilização.

Qual o vosso balanço do estado do radioamadorismo no nosso país?

O balanço é positivo, se bem que com nota “mínima”. É significativo o incremento de valores individuais em várias áreas do radioamadorismo nacional (Ex, concursos, EME, etc), mas apenas por mérito próprio. Em termos colectivos, salvo casos pontuais, a actividade é fraca, e de baixa qualidade.

Que acções acham prioritárias para a defesa e promoção da actividade radioamadora?

Entre os radioamadores é vital resolver de uma vez por todas a questão da representatividade. Resolvida essa questão, seria então o momento de solucionar questões menores (planos de repetidores, indicativos, etc.) A nível da administração, é fundamental dotar os amadores com legislação actual e adaptada à realidade nacional internacional (nomeadamente no que toca aos novos modos digitais, desprovidos de qualquer enquadramento legal), aliada a uma fiscalização mais efectiva das bandas que nos estão destinadas. Paralelamente, deveria ser promovida a actividade de radioamador como uma alternativa saudável a tantas outras de cariz duvidoso junto das camadas jovens.

Isto é, se dependesse de vós, que medidas tomariam?

Entre amadores, depende em parte de nós, se bem ser pouco o “peso” da nossa associação. Ainda assim estamos abertos a colaborar na resolução dos problemas. Posso ainda adiantar que, a título pessoal, irei tornar pública brevemente uma proposta para desbloquear a situação actual. Quanto à administração, parece não haver forma de ter motivação para tratar dos assuntos dos amadores. provavelmente teremos que aguardar por um deputado radioamador…

Nomeadamente, consideram a proliferação de serviços “wireless” como um problema no tocante à poluição das frequências? Se sim, em que medida?

Sim, particularmente nas bandas de 144 MHz e superiores. No entanto, se a fiscalização fosse mais actuante, o espectro poderia ser partilhado sem grandes problemas. Basta que cada serviço opere estritamente na faixa que lhe foi destinada e nas limitações dos equipamentos homologados. A questão mais delicada coloca-se em bandas partilhadas (UHF e superiores) onde a convivência com outros serviços está longe de ser pacífica… Sem falar da ameaça constante que esses serviços representam, pois alguns pretendem deter as bandas em exclusivo. Veja-se o caso do ATV em 2.4GHz, que não é autorizado em Portugal apenas porque uma TV nacional detém um link móvel nessa faixa. Isto é absolutamente inadmissível.

Que opinião têm do processo de obtenção das cartas de radioamador e do correspondente exame de atribuição pela Anacom tendo também presente que não existem – que se saiba – cursos de preparação?

Do que se conhece do processo actual, parece não haver nada a apontar: o processo é simples e rápido. Questão diversa é a dos cursos de preparação. Esses deveriam ser uma das áreas mais trabalhadas pelas associações, e deveria ser essa uma das suas principais missões. Mas lamentavelmente está longe de o ser…

Assistiu-se nos últimos anos à proliferação do número de associações de radioamadores. Que opinião tem disso?

Opinião favorável, naturalmente. A diversidade é uma conquista da democracia. Por outro lado são as associações que estão mais próximas dos radioamadores que conhecem melhor os seus problemas e aspirações. Logo são essas mesmas associações quem pode dar a melhor resposta a esse mesmos problemas e aspirações.

Será que a desunião não diminui a força do radioamadorismo?

É natural que a desunião diminua a força do radioamadorismo. Mas isso não pode ser imputado à existência de mais que uma associação de amadores. Senão voltamos ao modelo corporativo… O verdadeiro problema é que, até agora, as diferentes associações nacionais (REP incluída) não conseguiram criar mecanismos para resolver o problema da representatividade. Esse é que é o verdadeiro problema que urge resolver.

Será que modernamente o radioamadorismo ainda pode contribuir para o progresso e inovação científicos? Em que medida?

Ainda??? O radioamadorismo NUNCA deixou de ser um contributo para o progresso e inovação científica. Actualmente manifesta-se particularmente no domínio da transmissão de dados via rádio, mas também na pesquisa de novos modos de emissão e no estudo de da propagação. Só a título de curiosidade, o Sojourner (o rover) que há uns anos atrás passeou sobre o solo de Marte, que tirou várias fotos que tanto impacto causaram junto da opinião pública, comunicava com a “nave-mãe” através de um protocolo concebido, desenvolvido e testado por radioamadores.

No plano lúdico, a Internet não terá vindo satisfazer alguma da motivação de quem se dedicava ao radioamadorismo?

Não me parece que a questão deva ser colocada desse modo… Nem me parece que se deva misturar as coisas. O que sucedeu foi um processo natural de migração de adeptos, muitos dos quais estavam no radioamadorismo, não pelo prazer de fazer rádio, mas tão semente pelo prazer de comunicar. Naturalmente, sendo a Internet um meio mais veloz, mais abrangente, mais seguro, etc… conquistou uma grande “quota do mercado”. Mas, aqueles que eram radioamadores pelo gosto de comunicar sem fios (que no fundo é esse o encanto e a magia de ser radioamador), esses continuam todos. E usam a Internet diariamente. Inclusive algumas da páginas mais visitadas na rede são de (e para) radioamadores (DX Summit http://oh2aq.kolumbus.com/dxs/ , por ex.)

73 F.Costa, CT1EAT
http://www.qsl.net/ct1eat

ARBA, Associação de Radioamadores da Beira Alta

Telemoveis.com: Quantos sócios tem a associação?

ARBA: A ARBA tem 690 associados

Que actividades têm programadas que considerem de interesse divulgar?

Estamos na feira de S. Mateus todos os dias da mesma sendo este ano de 14/8 a 21/9; temos um concurso de radioamadores com o mesmo nome e durante a Feira de s. Mateus; temos um «vitamínico» (almoço convívio) todos os anos na 1ª ou 2ª semana de Setembro; uma feira da rádio todos os anos com a presença de todos os importadores de marcas de rádios de amador; ma sardinhada anual no mes de Julho que começou na Serra do Arestal. Editávamos ainda uma lista de indicativos de todos os radioamadores portugueses do continente e ilhas e que depois cedíamos às nossas congéneres, mas o ICP (agora Anacon) cancelou-nos as informações de dados desde fins de 1996.

Qual o vosso balanço do estado do radioamadorismo no nosso país?

O radioamadorismo está um pouco abandonado pelas entidades oficiais pelo abrandamento da fiscalização de piratas e alguns mal-educados e não punidos.

Que acções acham prioritárias para a defesa e promoção da actividade radioamadora? Isto é, se dependesse de vós, que medidas tomariam?

A maior fiscalização da Anacon e punição de algumas indecências que aparecem na frequência e acabam por envergonhar os radioamadores em geral

Nomeadamente, consideram a proliferação de serviços “wireless” como um problema no tocante à poluição das frequências? Se sim, em que medida?

Em parte sim mas por culpa “repito” da Anacon por dar de parceria frequências de amador.

Que opinião têm do processo de obtenção das cartas de radioamador e do correspondente exame de atribuição pela Anacom tendo também presente que não existem – que se saiba – cursos de preparação?

Lamentavelmente são as associações nomeadamente a Arba que ainda vão dando qualquer informação sobre os exames porque cursos nunca existiram que nos tenhamos conhecimento.

Assistiu-se nos últimos anos à proliferação do número de associações de radioamadores. Que opinião tem disso? Será que a desunião não diminui a força do radioamadorismo?

Em virtude de aparecerem mais associações a desunião não diminuiu a força do radioamadorismo. Acreditamos sinceramente que o aparecimento de varias associações se deveu a inoperância e muitas falhas da REP que originaram o seu aparecimento porque se a REP preenchesse todas as expectativas não dava possibilidade a que novas congéneres se criassem.

Será que modernamente o radioamadorismo ainda pode contribuir para o progresso e inovação científicos? Em que medida?

Pode porque alguns bons técnicos mundiais são radioamadores e servem-se do seu hobby para testarem as capacidades e resistência dos componentes/aparelhos/equipamentos tanto no solo como nas estações espaciais e satélites.

No plano lúdico, a Internet não terá vindo satisfazer alguma da motivação de quem se dedicava ao radioamadorismo? Será que ao ponto de ameaçar o seu futuro?

A Internet veio facilitar as comunicações e é mais uma variante conforme é a fonia (fm e ssb) o sstv, o slow scan, o cw, o packet, o gprs .

Acrescente p.f. qualquer comentário que entenda pertinente.

Para seu conhecimento e que possa divulgar, a Arba tem instalados vários repetidores de fonia, packet e Gprs em locais estratégicos que cobrem em móvel cerca de 70% do pais. (Serra do Marão, Arestal, Boticas, Serra da Estrela e S. Cota) nas frequências de 144mhz, 433mhz e 1,2ghz respectivamente VHF, UHF e SHF. Gostaríamos de que a Anacon nos facilitasse a base de dados dos nossos colegas radioamadores para que pudéssemos efectuar uma lista de indicativos a nível nacional a exemplo das que já editamos.

73´´
Pela Arba
ct1asm – Jorge

Ligações recomendadas

Rede de Emissores Portugueses

The International Amateur Radio Union

Listagem de Associações nacionais de Radioamadores no Netindex.pt

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Hugo Valentim