E-mail 40 anos: Correio electrónico actualiza-se mas sobrevive

O correio electrónico deverá ter vida longa, pois estudos mostram que 70 por cento dos cibernautas utilizam esta ferramenta e, quando uma tecnologia funciona bem, “não há qualquer incentivo para a mudar”, afirmou o investigador Gustavo Cardoso.

Lisboa, 26 Out (Lusa) – “O e-mail surge como ferramenta muito antes da Internet tal como nós a conhecemos, e surge porque as pessoas tinham essencialmente necessidade de comunicar”, recordou o também director do Observatório da Comunicação (Obercom), para quem, “durante muito tempo, talvez durante a última década”, prevaleceu a ideia de que as pessoas usavam a Internet sobretudo “porque buscavam informação”, o que não corresponderá à verdade. Fazendo uma análise empírica dos usos a nível global, ou seja, na Ásia, na América do Norte, na América do Sul, na Europa e nalgumas zonas de África, “quando listamos as razões pelas quais as pessoas usam a Internet e, em particular, o que fazem com ela, a comunicação tem uma preponderância muito grande”, assinalou. Ainda de acordo com Gustavo Cardoso, “quando se começa a entrar num registo de relacionamento organizacional, o e-mail é a ferramenta por excelência, uma ferramenta mais contratual”, que tem sobrevivido desde que, em 1969 e no início dos anos 70, começou a ser utilizado para aquilo que interessava a elementos da comunidade científica no momento: “comunicarem uns com os outros sobre os seus trabalhos, partilharem histórias sobre ficção científica e saberem onde podiam encontrar marijuana”. Enquanto houver procura do e-mail, este “poderá sofrer algumas transformações relacionadas com a experimentação daquilo que é útil” mas, se a tecnologia resulta, “não há qualquer incentivo para a mudar”, na opinião do docente e investigador do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). “O Gmail, por exemplo, tem algumas funcionalidades que ficam próximas de uma agenda e há algumas sinergias que podem ir acontecendo mas, enquanto princípio de ‘para que serve’, não creio que venhamos a assistir a mudanças muito radicais”, declarou à agência Lusa. Gustavo Cardoso disse ainda acreditar que “o e-mail desempenha um papel que não é substituível por outras ferramentas, a menos que sejam novas ferramentas que incorporem o e-mail e outras coisas, como parece ser o caso do Google Wave”, que é, por agora, “mais a novidade e a vontade de perceber do que se trata e de experimentar do que uma certeza absoluta de sucesso”. O também director da rede de centros de investigação LINI (Lisbon Internet and Networks Institute) revelou à Lusa que – num momento em que o Google Wave está a ser experimentado por 100.000 internautas – continuam a existir utilizadores dos sistemas de e-mail mais antigos e rudimentares. É o caso do programa Eudora, “que era muito utilizado e depois ‘desapareceu'”, quando, na verdade, “ainda há pessoas que o utilizam”, o mesmo sucedendo com o Thunderbird, outro sistema de correio electrónico, exemplificou o responsável. Também continuam a ser utilizados o Outlook, o Hotmail, o Yahoo, além dos e-mails associados a fornecedores como o SAPO ou a Netvisão e, na opinião de Gustavo Cardoso, “não é previsível” que o interesse pelo correio electrónico diminua, pois “o e-mail substitui a comunicação por carta e esta tinha alguma lógica de existir”. “É uma tecnologia já velha, mas por alguma razão sobreviveu e continua a transformar-se”, acrescentou o investigador, para quem – a par de outras opções mais recentes, como o Messenger, o Facebook ou o Twitter – o e-mail reforça aquilo que nos define como espécie: “a nossa capacidade de comunicar”. Texto de Helena Freitas, da agência Lusa Lusa