Entrevista com António Câmara

O CEO da YDreams conta-nos sucintamente como tudo começou e quais os projectos actuais de uma empresa que tem dado cartas a nível internacional.

O Telemoveis.com lançou o repto a António Câmara, CEO da YDReams, para nos responder por e-mail a uma série de perguntas. O responsável desta empresa respondeu de pronto ao nosso desafio, conta-nos como começou e quais são os projectos em termos de mobile gaming, e não só…

Telemoveis.com: De onde surgiu a ideia de criar a YDreams?

António Câmara: A YDreams resulta da investigação em sistemas de informação geográfica, multimédia e realidade virtual conduzida na Universidade Nova de Lisboa (UNL) de 1993 a 1998. Em 1998, dez dos membros desse grupo foram para os EUA
(Silicon Valley, NASA, MIT). Eu fui um deles. Fui Professor Visitante no MIT em 1998-99. Durante esse ano, tornou-se claro que para além dos resultados académicos tínhamos desenvolvido trabalho com possível impacto económico.

Quando regressei, juntei um grupo de antigos alunos e o Nuno Correia, que tinha vindo do INESC para a UNL, e decidimos criar a então Ideias
Interactivas (Junho de 2000). Em Dezembro de 2002 mudámos o nome para YDreams para facilitar a internacionalização.

T: Quais são as principais áreas em que a empresa desenvolve o seu trabalho?

AC: Entretenimento móvel, Serviços baseados em localização, Instalações interactivas, Visualizações 3D. 

T: A YDreams desenvolve inúmeras soluções para as mais variadas áreas. Como é que chegaram até às aplicações móveis?

AC: Na UNL tínhamos já investigado soluções móveis usando o Apple Newton em 1993. Um dos fundadores da empresa (Eduardo Dias) desenvolveu aplicações pioneiras a nível mundial baseadas na localização dos utilizadores já em 1996.

T: Qual foi o primeiro jogo desenvolvido pela YDreams? Dos que se encontram actualmente nos terminais móveis espalhados pelo mundo, de qual se orgulha mais? Porquê?

AC: O primeiro jogo foi o Rockstar. O jogo de que nos orgulhamos mais é o Undercover, porque fois profundamente inovador: foi o primeiro jogo baseado em localização com interface visual, multi-player e de estratégia a nível mundial. Foi tema de artigos no El Pais, Liberation, Wired News e muitas outras publicações. A HP e a Comissão Europeia, entre outras instituições, utilizam o Undercover como exemplo de uma nova forma de entretenimento.

Passou já os testes em catorze operadoras um pouco por todo o mundo. Esperamos chegar ao final de 2004 com 500 milhões de potenciais utilizadores.

T: Com o advento da 3G, a YDreams está certamente a desenvolver soluções e conteúdos para operadores e fabricantes. Vão centrar-se maioritariamente nos jogos ou pensam abrir um pouco mais o leque? Que projectos estão neste
momento na calha?

AC: Temos duas killer applications para a 3G: Jogos que permitem a inserção e controlo de elementos virtuais em cenas reais. Podemos por exemplo jogar baseball, cricket ou ténis, substituír o guarda redes num jogo de futebol, ou conduzir um carro virtual numa corrida real.

Temos também o LiveAnywhere Traffic, que permite optimizar percursos em tempo real tendo em conta a informação do tráfego e que tem funcionalidades sem rival no mercado, e estamos também a criar novas edições de jogos como o Undercover e Serial Lover para a terceira geração.

T: Como é que a YDreams vê neste momento o lançamento da 3ª Geração. Acha que a tecnologia já tem maturidade suficiente ou pensa que se devia, por exemplo, conferir mais qualidade a serviços como a videochamada antes do seu lançamento comercial?

AC: A tecnologia tem sido sobretudo abraçada pelos “early adopters”, aqueles que não se importam de ser, de facto, os “beta testers” da tecnologia. Esta fase tem sempre que existir e na nossa perspectiva é óptimo que se tenha chegado a ela. Deste modo, chegar-se-à mais cedo à maturidade.

T: Já experimentou? Se sim, que impressão reteve?

AC: Já havia experimentado em Itália (os serviços da Tre) e agora experimentei um terminal em Portugal. A minha impressão é que um dia ninguém conseguirá viver sem esta largura de banda no telemóvel. No entanto, esse dia está ainda distante (3 anos pelo menos).