Entrevista com o Eng. António Damião

O presidente da AEG Portuguesa discorre sobre a estratégia da empresa para o mercado dos terminais móveis e a recente parceria com a Sendo.

António Damião

O Telemoveis.com entrevistou o engenheiro António Damião, presidente da AEG Portugal. Uma hora de conversa em que se discorreu sobre as perspectivas da recente parceria da empresa com o fabricante de telemóveis Sendo e o seu posicionamento face à actualidade do mercado das telecomunicações. Aqui fica a reprodução.

Como é que surgiu a oportunidade de parceria entre a AEG portuguesa e a Sendo?

A ideia começou por ser uma tentativa da AEG em buscar parceiros credíveis, tecnologicamente avançados que dessem garantias de uma operação de sucesso aqui em Portugal. O nosso primeiro contacto com a Sendo foi na CEBIT do ano passado, em 2000. Nós inteirámo-nos do conceito deles mas na altura não havia previsão de lançamento de terminais para breve e nós precisávamos de mais-valias para actuar no mercado. Mas a estratégia deles já nos tinha agradado. Este ano na Cebit 2001, em Hannover, visitámos a Sendo novamente para ver qual tinha sido a evolução deles e agradou-nos.

Porquê esta aposta no retorno ao mercado dos terminais?

Em 1998 a AEG deixou de produzir terminais directamente mas nunca deixou de apostar no sector e sempre teve parcerias para comercialização no mercado português embora não na escala com que cremos estar agora com a Sendo. Até pela capacidade inovadora, em termos de preços mesmo. A Sendo dá-nos possibilidades de voltar a estar de uma forma que já não estávamos desde 1998.

Por ora os produtos AEG/Sendo estão à venda através Telecel, vamos ver outros operadores integrá-los nos seus pacotes?

Há sempre perspectivas de haver outros operadores. Contactámos os três operadores ao mesmo tempo. Eles conhecem a Sendo e sabem as suas possibilidades. Também gostava de lembrar a parceria da Sendo com a Microsoft, que tomou uma participação accionista nela há relativamente pouco tempo, logo após a apresentação da marca cá (19 de Julho). Tomaram cerca de quatro porcento no capital da Sendo com opção para bastante mais. É a primeira vez que a Microsoft participa numa empresa fabricante de terminais…

Porque é que a Sendo (ainda) não lançou o modelo Z100 (com GPRS)? Quando o lançará?

O Smart Phone é de facto uma das apostas da Sendo. Ainda não temos nenhum modelo com GPRS porque se trata de uma empresa nova, os modelos estão a sair uns atrás dos outros mas é evidente que até ao final do ano deverá sair.

Relativamente ao atraso do UMTS, como é que a AEG o encara?

A questão é a falta de terminais credíveis no mercado. Isto dá a empresas como a Sendo uma grande margem de manobra em relação ao desenvolvimento dos seus produtos. Vamos beneficiar desse atraso. É evidente que os operadores e o ICP não têm outra solução. Creio que a questão de não arrancar com o UMTS se deve mais à não existência dos terminais do que à falta das infraestruturas por parte dos operadores.

Será que não tem que ver também com a falta de interesse do público?

Também. É um facto que temos estado a assistir a uma certa recessão no mercado dos telefones. Com os fabricantes a efectuarem alguns despedimentos… Agora, parece não haver em termos do UMTS a entrada fulgurante a que assistimos no GSM; está a ter maior dificuldade de penetração a nível mundial.
Pelas possibilidades fantásticas que trás o UMTS devia suscitar interesse. Se é isso que o consumidor normal quer, essa é a questão que resta responder.

Na apresentação da parceria AEG/Sendo e lançamento da marca em Portugal, falou-se muito das facilidades oferecidas em termos de economia e gestão nos custos de armazenagem. Isso constituiria um atractivo para os operadores. Pode elaborar melhor?

Não se trata de um ovo de Colombo mas o que está por detrás dessa afirmação é que a Sendo conseguiu uniformizar a plataforma dos telefones. Ou seja, consegue dirigir toda a sua produção para um determinado tipo de plataforma do terminal. Ao invés de fabricar ao mesmo tempo quatro ou cinco modelos dirige a produção para um único. Os modelos passam assim a ser diferenciados pelo design e pelo software. A plataforma única permite através da customização dos terminais rentabilizar a produção e dar aos operadores a possibilidade de melhor utilização e escoamento dos stocks. O D800 foi o primeiro a ser lançado e não assenta neste conceito. Mas todos os outros – a começar pelos S200 e J520 – o fazem e permitem muito mais flexibilidade aos operadores para mudar para o modelo que o mercado aceita melhor. Suponha que amanhã os operadores têm um modelo que não está a sair bem. Podemos reconverter a plataforma, e é muito mais fácil do que estar a fazer ofertas «de matar» em termos de «saldos» do terminal.

Noutro domínio. O serviço de capas personalizadas que a Sendo já oferece no Reino Unido também vai chegar a Portugal? Quando?

Estamos a trabalhar para isso. Em princípio vamos poder disponibilizar o serviço a partir do site da Sendo no Reino Unido. Esse tipo de serviço pode ser proporcionado cá em Portugal mas de início as capas viriam do Reino Unido. Quanto à oferta tanto pode ser feita através das lojas quer através da AEG cujo site aliás, está prestes a ser lançado.

Os modelos comercializados em Portugal são fabricados onde?

Os modelos são fabricados na China. Há um entreposto na Holanda. O design e o software é feito no Reino Unido.

Depreende-se que AEG não está a estudar a hipótese de fazer acordos com outros fabricantes de telemóveis além da Sendo?

A nossa ideia é essa. Para já é a parceria que nós desejamos. Para nós que estamos habituados a ter produtos tecnicamente bons, desde a rede C, e a estar na vanguarda desde o grande sucesso do Mimo 9050, que foi o primeiro da TMN e vendeu mais de cem mil unidades em 1995/96. Tivemos sucesso porque os aparelhos eram realmente bons e estamos convencidos que com esta parceria vamos ter equipamentos à altura.