Entrevista TMN 3G

A TMN, através da escrita da Carlos Roseiro, respondeu as questões relativas aos serviços e funcionalidades da tecnologia disponível desde o passado mês de Maio.

O segundo operador a responder às nossas questões sobre UMTS/3G foi a TMN. Desta vez foi Carlos Roseiro, Responsável pelo Departamento de Serviços de Messaging e Transacionais da Direcção de Negócios de Dados e Conteúdos da TMN, quem se disponibilizou para a tarefa de responder ao questionário do Telemoveis.com

Telemoveis: Quais os conteúdos, serviços e aplicações para os quais têm maior expectativas de mercado?

Carlos Roseiro: A tecnologia UMTS vai permitir um conjunto de novos serviços e uma evolução dos que já existem. Assim sendo, através de um telemóvel i9 3G o cliente TMN tem acesso a novos serviços como a Vídeochamada, o acesso à Internet de Banda Larga, o Videomail, o Videoatendimento, bem como aos serviços já existentes -Voz, SMS, MMS, ou os serviços do portal multimedia i9.

Para que se possa entender melhor o que são os novos serviços 3G, destacamos as principais características desses serviços:

– A Vídeochamada é a possibilidade de se efectuar e receber chamadas com imagem, em tempo real. A vídeochamada é o serviço mais diferenciador e com maior impacto junto dos clientes.

– O Videomail é um serviço único em Portugal e um dos dois primeiros do género a ser lançado em todo o Mundo, que permite deixar mensagens de vídeo na caixa de correio dos clientes para quem foi feita uma vídeochamada não atendida. Conceito semelhante ao do Voicemail para as chamadas de voz, o Videomail permite a recepção e a gravação de vídeochamadas numa caixa de correio, com aviso imediato de recepção e personalização da mensagem de acolhimento. Ou seja, o cliente TMN pode gravar o vídeo que quiser que os seus interlocutores vejam e oiçam quando lhe deixarem uma videomensagem.

– O Videoatendimento é também um serviço único em Portugal, através do qual os clientes da TMN que disponham de telemóveis que suportem a videochamada poderão esclarecer as suas dúvidas e obter informações ligando 12030. Do outro lado, todos os dias, das 9.00h às 24.00h, espera-os um «call center» de características inovadoras. O Videoatendimento da TMN marca uma nova etapa no atendimento personalizado, ao permitir que o cliente fale «cara a cara» com o assistente.

– O Acesso 3G constitui o acesso móvel à Internet de banda larga através dos PC/laptops.

Estes são os novos serviços de 3ª geração que maior diferença fazem relativamente ao 2G.

Contudo, mantemos muitas expectativas com os serviços que já existem no 2G e que continuarão no 3G. Exemplos disso são o serviço MMS e os jogos Java, que são dois dos serviços que esperamos virem a ter maior crescimento na rede 3G.

T: Já definiram uma «killer application?»

C R: Há muito que temos vindo a verificar que os utilizadores têm preferências muito diversificadas. O que interessa não é ter uma única aplicação ou serviço que sirva a muitos, mas sim ter um conjunto de serviços que vá ao encontro das necessidades de cada cliente.

T: Quais as principais barreiras e factores potenciadores para uma adopção massiva desses conteúdos, serviços e aplicações?

C R: Parece-nos que a principal barreira será, de início, o preço dos telemóveis 3G. Calculamos, no entanto, que a evolução para os telemóveis UMTS se fará de forma gradual. Portanto, será natural que os clientes TMN quando pensarem em mudar de telemóvel optem pela aquisição de um telemóvel que, por exemplo, já permita efectuar vídeochamadas.

T: Quando acham que o serviço vai estar normalizado, que fará parte do
quotidiano das pessoas, ser um mass-service? Qual é o target do serviço?

C R: Os serviços de dados e conteúdos têm vindo progressivamente a ser massificados.

Além do SMS, veja-se o caso do MMS, que é já também um serviço bastante massificado. Os jogos Java são outro exemplo, com um conjunto de utilizadores bastante significativo. Mas é naturalmente um processo evolutivo, que não se alcança de um dia para o outro.

Quanto ao target, é normal existir segmento alvo de clientes que é mais propenso às novas tecnologias e serviços inovadores e, para já, será este o segmento em vamos centrar-nos.

T: Como tencionam diferenciar a oferta de conteúdos, serviços e aplicações?

C R: O enfoque da TMN é apresentar aos seus clientes a melhor oferta de serviços e conteúdos aos melhores preços. Neste sentido, temos vindo a trabalhar alguns conteúdos exclusivos e de interesse para os nossos clientes.

Por exemplo, a TMN tem disponibilizado conteúdos relacionados com o futebol. O i9 foi durante um largo período de tempo o único serviço com os golos em vídeo da Superliga de Futebol. Durante o Euro 2004, a TMN disponibilizou em exclusivo nacional os conteúdos (jogos Java, informações, imagens oficiais do Euro 2004) da UEFA.

Salientam-se ainda outros serviços exclusivos, fruto das relações privilegiadas com as empresas do Grupo PT. Exemplos disso são a bilheteira Lusomundo (o único serviço que permite comprar bilhetes de cinema com o telemóvel) e o acesso através do telemóvel ao e-mail do Sapo, Telepac e Netcabo.

T: Quais são as expectativas de receitas do novo serviço?

C R: Face às características do serviço, esperamos um aumento nos serviços de comunicação de dados, quer em termos de número de utilizadores, quer de volume de tráfego por utilizador, mas preferimos não avançar números. O tráfego de dados tem vindo a crescer de forma gradual e estamos convictos de que a 3G, tendo em conta as velocidades que permite, lhes vai dar um novo impulso.

T: Quais são os planos de expansão da cobertura?

C R: A TMN foi o primeiro operador nacional e um dos primeiros a nível europeu a lançar o serviço 3G, em 19 Abril deste ano, contando já com uma cobertura UMTS na Grande Lisboa, Grande Porto, Braga, Guimarães, Aveiro, Coimbra, Leiria, Faro, Loulé, Funchal e Ponta Delgada. Em gradual expansão, a rede 3G da TMN deverá cobrir 50% da população até ao dia 01 de Junho de 2005, em cumprimento das obrigações da licença. Progressivamente irá estender-se a todo o território nacional.

T: Acham que existe espaço para três operadoras fornecerem o serviço?

C R: Claro que sim. Temos a expectativa que as novas tecnologias vão chamar mais clientes e principalmente clientes mais satisfeitos com o seu telemóvel, que o vão utilizar cada vez mais em diferentes circunstâncias do seu dia a dia.

T: Quando pensam que a tecnologia da Vídeochamada irá atingir o ponto de maturação?

C R: Dependerá apenas da disponibilização de terminais que suportem a tecnologia. Isto será um processo evolutivo, idêntico ao que passaram outros serviços como o SMS ou o MMS. No entanto, é necessário não esquecer que, como qualquer nova tecnologia, há sempre um período para optimização e melhoramento. Para já existem as condições essenciais, mas há ainda muito espaço para evoluir, para o que contribuirá a própria utilização no terreno.

T: Tencionam baixar as tarifas à medida que o número de clientes vá aumentando, ou o serviço é definitivamente muito mais caro?

C R: A videochamada será por definição um serviço mais caro que o serviço de voz, pois oferece ao cliente mais valor: a imagem. No entanto, é natural que conforme existam mais clientes aderentes ao serviço, se proceda a um ajustamentos dos preços.

T: Encaram o Wi-Fi como um potencial concorrente?

C R: Não. É apenas uma tecnologia que complementa a tecnologia UMTS. Para os clientes TMN, o importante é a utilização do(s) serviço(s). A TMN disponibiliza o acesso móvel à Internet de banda larga através de ambas as tecnologias.

T: Qual é a vossa previsão de % de utilizadores 3G no final de 2004 e no final de 2008?

C R: Calculamos que em 2005, 1% a 2% do parque de clientes da TMN já deva ser UMTS, ou seja, 50.000 a 100.000 telemóveis utilizarão a rede UMTS, na sua maioria pertencentes a clientes empresariais.

T: Quais foram as verdadeiras razões da demora da implementação comercial do serviço? Falta de maturidade do mercado? Poucos terminais UMTS?

C R: Na verdade, não levou muito tempo até ao lançamento dos serviços de 3ª Geração, uma vez que os mesmos foram sendo lançados ainda na rede GSM/GPRS. Veja-se o caso do MMS, que fazia parte dos standards 3GPP: como as redes UMTS não estavam ainda estáveis, os operadores entenderam apropriado lançar esse serviço sobre a rede GSM/GPRS.

O serviço que agora constitui novidade é a videochamada, uma vez que esta só é possível na rede UMTS.

Assim, a demora no lançamento comercial do serviço 3G teve mais a ver com a falta de terminais, do que com questões de mercado, uma vez que muitos dos serviços originalmente apontados como 3G (previstos na candidatura às licenças UMTS) já estão no mercado há algum tempo.