Ericsson T39. Paixão forte!

GPRS, bluetooth, tri-banda, porta de infra-vermelhos, cliente de e-mail, agenda… A maravilha é quase ilimitada.

Sucede por vezes ao Telemoveis.com, no decurso da tarefa de testar a multidão de modelos que lhe vão passando pelas mãos, experimentar uma sensação quasi mística de regalo e satisfação. São momentos que apenas objectos muitos especiais conseguem suscitar.

Na realidade trata-se de instantes dúcteis mas de grande paradoxo: o ímpeto do amor desenfreado, é sabido, tende a toldar o juízo crítico e a rosar o texto de uma neblina de falsa poesia que pode involuntariamente deixar escapar qualquer coisa de menos bom ou, pior, gerar no leitor a impressão péssima da falta de isenção. E, no entanto, verdades há em cuja posse o profeta mais não pode do que, por imperativo, lançar ao vento e em boa voz a sua proclamação no sentido dos quatros grandes pontos cardeais e, preferivelmente, também no dos intermédios.

Assim é o Ericsson T39 que tivemos em mãos: objecto miríade, um dos mais interessantes e bem elaborados nacos de terminal móvel que já tivemos a satisfação de segurar.

Ericsson T39 A Ericsson esmerou-se. Posta de lado a filosofia obtusa do bojudo R380, a marca atinou finalmente com o que verdadeiramente interessa num modelo de gama alta para o tipo «executivo»: formato compacto, autonomia e um recheio generoso da melhor tecnologia de ponta. Senão veja-se, só para aguçar o apetite, o peso – 86 gramas – e a longevidade da bateria – que pode oscilar entre as 300 e as 715 horas em tempos de espera dependendo do modelo.

Se o R380 era o hipopótamo da família sueca, o T39 é a pantera: elegante, rápida, eficaz e com uma certa aura de doçura, majestade, bem-estar e bem-viver que rodeia os felinos.

Primado da tecnologia

Como a própria marca – que, por princípio, seria suspeita – faz questão de afirmar, o Ericsson T39 situa-se numa «classe à parte». O facto de incorporar as tecnologias GPRS e Bluetooth em simultâneo a par da clássica porta de infra-vermelhos fazem dele um exemplo acabado de versatilidade no presente e de abertura ao futuro.

Tanto o GPRS como, em especial, o Bluetooth se encontram a debutar. O seu interesse é porém indiscutível: enquanto a primeiro alarga até a níveis inéditos de largura de banda a transmissão de dados, o segundo permite a criação de redes locais e ou pessoais sem fios nem as limitações do «estar à vista» que os infra-vermelhos impunham.

A Ericsson faz alias questão de fazer das tecnologias não uma potencialidade passiva mas uma realidade concreta, desde logo com a oferta como acessório adicional de um «headset» para Bluetooth que permite efectuar chamadas através do telefone dispensando fios ou a necessidade de o ostentar na mão.

A maravilha em compatibilidade completa-se ainda no facto de o telefone ser tri-banda, funcionando tanto nas redes GSM europeias 900 e 1800 Mhz como nas redes de 1900 Mhz mais comuns, particularmente, nos Estados Unidos da América do Norte.

Para quem pretenda um «organizer», o T39 incorpora funções de agenda de contactos e eventos. Facto que, aliado à tecnologia de reconhecimento de voz, permite ligar para qualquer indivíduo seja para o telefone de casa, escritório ou outro. O sistema funciona notavelmente bem, segundo o Telemoveis.com pode testemunhar; mesmo com ruído de fundo; mesmo com duas vozes diferentes o telefone foi perfeitamente capaz de reconhecer o destinatário da chamada efectuando-a automaticamente.

Para quem pretenda antecipar as possibilidades multimedia da terceira geração é de salientar que outro dos «extras» suportados pelo telefone e oferecidos pela Ericsson é a Communicam, uma câmara digital capaz de tirar fotos e de as enviar pelas redes sem fios. Ericsson T39

Outra funcionalidade típica da segunda geração e meia suportada são as mensagens EMS. Ao nível da personalização, aliás, o telefone incorpora toda a pletora de possibilidades: imagens & logotipos (incluindo um editor incorporado no telefone para o seu desenho) e melodias, com espaço para a personalização de oito.

No plano do mais vezeiro, um browser WAP e um programa de verificação de correio electrónico compõem ainda o ramalhete das funções de comunicação.

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A silhueta do T39 não é demasiado original. A parte posterior, com a bateria plana, copia basicamente o T29. No entanto a fórmula é eficaz: a linha compacta e espalmada da antena, as duas «orelhas» laterais salientes para melhor permitir desdobrar o altifalante e as três ranhuras do auscultador, capaz de alta-voz, a «coroar» o modelo são elegantes quanto baste.

Ao nível das cores, o modelo «rosa» – na realidade parece mais creme – a que o Telemoveis.com teve acesso revela uma combinação muitíssimo agradável de gradientes. A Ericsson disponibiliza o modelo também em mais duas variantes de azul à escolha: «icecap blue», com uma tonalidade clara e macia e «classic blue», na realidade uma variante de azul escuro.

Software no ponto

Na experiência do Telemoveis.com a comunicação através da porta de infra-vermelhos não podia ter sido melhor. Instalado o software «Ericsson Communication Suite» logo na primeira execução, e no Windows 2000 (sistema operativo por vezes algo problemático no domínio deste tipo de aplicações), o programa detectou o telefone em funcionamento na perfeição. Sem necessidade de configurar, tão pouco, a porta respectiva – coisa que fez sozinho. Uma surpresa deliciosa para quem já se viu e desejou para colocar em funcionamento aplicações semelhantes.

O «Communication Suite» permite configurar/controlar através do PC a totalidade das opções do telefone e, como tal, se peca por alguma coisa é por ser demasiado completo e, num primeiro contacto, demasiado extenso para não parecer confuso.

Irresistível vontade de comprar um!

Como desiderato da nossa «avaliação», conclua-se que este é o telefone que nos levou a ponderar atirar a correcção fiscal às malvas pelo prazer de compar um. Um T39 vale, de certeza, bem mais do que um trimestre de IVA atrasado!

Por cerca de oitenta mil escudos pode-se afirmar que é barato!

Hugo D. Valentim