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Professores dão telemóvel aos alunos

Professores dão telemóvel aos alunos

segunda-feira, 12 junho, 2006 /
Aulas-extra em escola de Faro. «Todos os meus alunos têm o meu número de telemóvel», garantiu à Agência Lusa Ana Paula Machado, 38 anos, professora de física e de química, que centra na relação com os alunos o essencial da sua actividade, de há uma década para cá, naquela escola.

Como os seus colegas, Ana Paula não dá o número de telemóvel na aula de apresentação, porque «primeiro tem que se criar uma relação de amizade» e o número só se dá «quando surge a primeira necessidade de que isso aconteça.

Mas, depois, ocorrem os primeiros telefonemas para tirar dúvidas e a professora - como muitos outros, entre os 120 docentes daquela escola de Faro - diz que não hesita em ajudar os seus alunos. E, a partir daí, Ana Paula Machado conta que há vários anos tira dúvidas aos alunos em aulas extraordinárias, pelas quais nada recebe.

«São as aulas que correm melhor, as mais satisfatórias, porque os alunos chegam lá pelos pezinhos deles, não se sentem obrigados a estar ali», afirma, observando que os melhores resultados naquelas aulas se verificam com os alunos habitualmente mais fracos.

Também Augusta Brandão, 53 anos, professora de inglês e alemão, não hesita em dar o número de telemóvel aos alunos, que o usam «essencialmente para tirar dúvidas» ou para marcar aulas de apoio para determinada hora.

Não há abusos

Apesar de ter horário reduzido, a professora está sempre na escola e utiliza boa parte do seu dia a tirar dúvidas, garante, orgulhosa de não saber lidar com os alunos de forma autoritária, embora reconhecendo que há alturas em que tem que ir para a aula fingindo que está de mau humor, por causa dos abusos.

«Não me posso queixar de abusos com o meu número de telemóvel», afirma por seu turno Dina Ferreira, 38 anos, professora de latim, que também não tem problemas em ter o seu número nas agendas dos seus 20 alunos.

No caso de Dina, a comunicação com os alunos fora de aulas estende-se ao correio electrónico e até aos chats: «Esporadicamente, eles recorrem ao MSN para tirar dúvidas», afirma.

Ainda assim, Dina Ferreira atribui as suas boas relações com os alunos ao facto de ter «calhado» numa escola que a «deixa ser assim». «O meu espaço é com os alunos, é lá que eu me sinto bem», conclui a professora.
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