Indústria das Comunicações em debate no Porto

Principais intervenientes do sector das TIC afirmam que Portugal tem que investir na massificação da Banda Larga e na modernização da Administração Pública.

O primeiro conjunto de oradores convidados para a sessão da manhã debateu o tema “Banda Larga: porquê, quando, quanto e como”. José Joaquim Fernandes da UMIC – Unidade de Missão Inovação e Conhecimento, foi o moderador de um painel que contou com a participação de Mário Freitas em representação da Anacom, de Luís Martins da Cisco, Mário Martins da Alcatel, Nuno Cardoso da Águas Douro e Paiva, Pedro Veiga da Fundação para a Computação Científica Nacional, João Marques da Siemens e Pedro Salgueiro da PT Comunicações.

Portugal atrasado no processo da massificação da Banda Larga em relação aos seus congéneres europeus

Deste debate ficou clara a ideia de que a Banda Larga é uma valiosa ferramenta para todos os quadrantes da sociedade, sejam eles privados ou públicos, em grande parte devido ao acesso a alta velocidade e em ligação permanente à Internet que proporciona. Todavia, aspectos como o ganho de competitividade, redução e controlo de custos, ligação em directo e em tempo real e potenciação de oportunidades, não foram esquecidos por estes intervenientes. Assim, para usufruir de todas as funcionalidades e oportunidades que a Banda Larga pode oferecer, Portugal tem que saber informar os cidadãos sobre as suas vantagens e eliminar os diversos problemas que ainda subsistem, nomeadamente, a nível geográfico no que respeita à disponibilização da rede fixa e cabo, às baixas velocidades de acesso, à pouca penetração de computadores pessoais, em particular, aos preços elevados que são praticados em território nacional. Outro aspecto a destacar é a necessidade de uma forte aposta no desenvolvimento de conteúdos mais atractivos, já que velocidade por si só, não é suficiente para atrair mais utilizadores. Por outro lado, o governo também desempenha um papel fulcral na divulgação dos benefícios da banda larga, em particular no que respeita às potencialidades do serviços on-line para os cidadãos, empresas e comunidades académicas e cientificas. De salientar que Portugal pretende recuperar o atraso que ainda se verifica em termos de acesso a informação e troca de experiências académicas e científicas através da Banda Larga, devido a uma oferta de serviços de telecomunicações pouco adaptada às suas necessidades reais, embora estejam já a ser tomadas medidas para inverter esta tendência.

Novas tecnologias devem aproximar o Estado do Cidadão

O debate prosseguiu na segunda sessão da manhã com um painel constituído por João Bilhim no papel de moderador, Joice Fernandes da Microsoft, Paulo Vilela da SUN, Nuno Amaral da ONI, Carlos Azevedo da Novis, e Luis Borges Gouveia da VNGAIA. O tema em discussão foi a “Administração Publica – que caminhos, tecnologias e serviços ao cidadão?”. Neste contexto, o consenso foi no sentido da necessidade da dinamização da relação entre as entidades públicas e os organismos privados, conferindo uma maior transparência aos processos públicos. É urgente, segundo os presentes, melhorar a eficiência, aumentar a produtividade e reduzir os custos, ao mesmo tempo que se promove o acesso e a utilização da informação pelos cidadãos e pelas empresas, sempre no sentido de estreitar a relação com a Administração Pública. Face aos projectos governamentais já em curso e que visam a modernização da Administração Pública, encontram-se disponíveis várias soluções tecnológicas especialmente desenvolvidas para responder às exigências do Estado e novas ofertas graças à liberalização do sector, embora este seja um processo lento que envolve entidades estatais, centrais e locais, com todas as contendas que isso implica.