Internet World 2001 : Berlim abre portas à rede

Perto de mil empresas especializadas em Internet apresentam a partir de hoje em Berlim as últimas novidades do mercado na “Internet World 2001”, a maior feira dedicada ao sector a nível europeu.

Perto de mil empresas especializadas em Internet apresentam a partir de hoje em Berlim as últimas novidades do mercado na “Internet World 2001”, a maior feira dedicada ao sector a nível europeu. Apesar da crise que atravessam muitas empresas da denominada “nova economia”, a feira de Berlim conta na sua 5/a edição com o dobro de expositores relativamente ao ano passado, esperando-se que, ao longo de três dias, acolha cerca de 70.000 visitantes. Ninguém esconde que a conjuntura actual é difícil e que a crise ainda não foi superada, mas, ao mesmo tempo, reina o optimismo perante o futuro, já que a tendência para introduzir a Internet no mundo dos negócios e na vida quotidiana do cidadão é cada vez maior. A “Internet World” é, acima de tudo, uma feira para os profissionais e não tanto para os utilizadores. O comércio e a venda através da Internet, os programas para a comunicação e a gestão interactiva nas empresas e os últimos avanços na tecnologia de vídeo e televisão através da rede são alguns dos temas centrais da feira, onde também se celebram conferências relacionadas com este mercado. Os especialistas concordam que a crise serviu para depurar um mercado sobrecarregado e que, no futuro, vão apenas sobreviver as empresas que ofereçam qualidade e produtos especializados. A forte concorrência entre os vários provedores que, nos últimos anos, seguiram os passos do pioneiro Yahoo, disponibilizando portais com uma mistura caótica de produtos, foi um dos motivos que conduziu à crise financeira. Quanto maior é a oferta dentro de um mesmo portal, menos sentido tem para as empresas que contratam publicidade estar presentes nele, e a rede sobrevive graças às receitas geradas pelos anúncios, afirmam alguns especialistas. Segundo um estudo realizado pelo instituto Forrester, muitas empresas já não vêem sentido em anunciar-se através da Internet, porque, por muito alto que seja o índice de visitas neste tipo de portais multi-uso, a publicidade em questão apenas interessa a um número mínimo de pessoas. Por isso, refere o estudo, para as companhias é melhor colocar publicidade em páginas especializadas, que, ainda que mais pequenas, se ajustam melhor ao destinatário ideal do produto. A conclusão, coincidem peritos do sector, é que, em primeiro lugar, a tendência dos provedores caminhe para a especialização e, em segundo lugar, que a Internet deixe de ser gratuita no futuro. Uma das áreas com melhores perspectivas é a da comunicação interempresarial, pois cada vez existem mais companhias interessadas em agilizar os seus negócios através desta tecnologia. Em Berlim, os pioneiros do sistema de comunicação “de bolso”, através de computadores portáteis e telemóveis, a Palm Computing e a SAP-América, apresentam os últimos avanços nesta tecnologia. Com esta tecnologia, os representantes podem atender de forma muito mais rápida os desejos dos seus clientes, já que o sistema lhes permite aceder ao computador da sua central e efectuar os pedidos necessários sem perder tempo. Outra das áreas que encontra cada vez maior aceitação é a da apresentação de produtos da administração pública através da rede. O Governo alemão propôs que, até 2005, os cidadãos possam resolver através da rede, pelo menos, 1.200 procedimentos burocráticos, como a solicitação de um novo bilhete de identidade. Num futuro mais distante, o executivo considera possível que se estabeleçam urnas eleitorais no ciberespaço, ou seja, que o cidadão possa votar a partir do seu computador de casa. “No futuro serão os dados a correr e não os cidadãos”, declarou o chanceler Gerhard Schroeder durante um simpósio para funcionários celebrado na véspera da feira.