Introdução às comunicações móveis por satélite

Panorâmica geral das comunicações movéis por satélite. Sistemas geoestacionários e não-geoestacionários

Os serviços de comunicação móvel por satélite têm vindo a crescer de forma acentuada nos últimos anos, ao ponto de se esperar que cerca de um milhar de satélites em órbita cubra o globo em 2004.

Estabelecer um sistema de cobertura global, ou para-global, não é, no entanto, tarefa fácil. Os avolumados investimentos, na ordem dos biliões de dólares, só são possíveis mediante o estabelecimento de grandes conglomerados internacionais. Mesmo assim, a experiência mostra que a viabilização dos projectos passa quase inevitavelmente por alguns reveses. Os exemplos da Iridium e da Globalstar, dois dos principais operadores, ambos tendo enfrentado processos tortuosos de falência eminente e sido salvas por expedientes de última hora, demonstram-no.

A antena de um gateway Com unidades de tamanho variável mas que, no essencial, com um peso médio a orçar a casa das 200 gramas, se aproximam estética e funcionalmente dos aparelhos GSM, os telemóveis por satélite combinam normalmente a ligação à rede orbital com a possibilidade do roaming alargado com as redes GSM.

Assim sendo, dependendo do modo de funcionamento por que opte, o utilizador tanto pode fazer as chamadas invariavelmente por satélite; por GSM (quando disponível) ou deixar o aparelho escolher a melhor solução. Quando efectua uma chamada com recurso à rede por satélite, o móvel entra em contacto com o artefacto espacial mais próximo que orienta a chamada, consoante os casos, ora directa, ora indirectamente por intermédio de ou mais satélites da mesma constelação, para um gateway (estação de rasteio) no solo. O gateway encarrega-se de a inserir na rede por fios convencional.

As redes que oferecem serviços de telefone móvel por satélite funcionam, de acordo com o tipo de órbita do(s) satélite(s) usado(s), de duas formas: usando constelações em órbita geoestacionária e usando satélites não geoestacionários.

 

Sistemas não geoestacionários

 

Os sistemas não geoestacionários, como é o caso dos empregues pela Iridium e pela Globalstar, utilizam satélites em órbitas baixas (700 a 1500 Km acima da superfície) a médias (10000 Km, como os ICO). Em deslocação permanente, estes satélite podem ter períodos orbitais – de revolução em torno da Terra – tão baixos quanto 100 minutos. Dada a sua proximidade, oferecem a vantagem imediata de não necessitarem de emissores muito potentes, sendo assim possível oferecer telefones movéis pouco maiores do que os convencionais GSM, apenas com antenas, normalmente retrácteis, maiores.

Como estão em movimento, a cada instante a zona da crosta terrestre deverá ser coberta por pelo menos um, normalmente mais (em média 2) deles. O utilizador estabelece a chamada com um e esse, quando desaparece sobre o horizonte, transfere-a para outro. Tecnicamente é assim possível fazer face à ocultação por edifícios e árvores, ou devido à morfologia do terreno ou deslocação do utilizador, de modo a que seja sempre possível obter cobertura.

 

Sistemas geoestacionários

 

Outra concepção da cobertura por satélite é a que emprega sistemas geoestacionários. Em que é que consiste um satélite geoestacionário? Trata-se, basicamente, de um artefacto espacial colocado em tal ponto no espaço que adquire sincronia com o próprio movimento terrestre, cobrindo, por conseguinte, permanentemente, uma mesma zona do globo. Para um utilizador no solo, um satélite geoestacionário manterá sempre a mesma posição relativa no céu. É, por exemplo, o caso dos satélites emissores de canais televisivos.

Tal como sucede com os receptores de TV, porém, os sistemas que se apoiam numa constelação geoestacionário, caso do Inmarsat e dos Thuraya, forçam o utilizador a utilizar unidades móveis mais volumosas.

Isto deve-se ao fato de a órbita geoestacionária, normalmente sobre o equador, só ser possível a distâncias na ordem dos 36.000 Km da Terra.

Em adição, dada a pequena fracção temporal que o sinal demora entre o telefone, o satélite e a estação terrestre que o recebe e o retransmite para o destinatário, e vice-versa para esta, este sistema tende a introduzir um pequeno efeito de retardamento nas mensagens.

 

 

Hugo Valentim

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