Japão lança primeiro telemóvel que se ouve pelos ossos

O TS41 está equipado com um microfone Sony que transmite os sons através de vibrações.

A partir de agora já não será preciso ter o ouvido apurado, ou procurar o isolamento em locais silenciosos para escutar um interlocutor, graças ao “TS41”, um novo telemóvel fabricado pela Sanyo e posto à venda este mês pela Tu-ka, filial do segundo grupo japonês de telecomunicações, KDDI. O novo telemóvel está equipado com um microfone Sony que transmite os sons através de vibrações, do crânio até à cóclea do ouvido interno, ao contrário do que acontece nos modelos anteriores, em que o condutor auditivo é o tímpano. Basta que o utilizador coloque o aparelho sobre a testa, atrás da cabeça, a face ou os maxilares e pressione a orelha para que a comunicação seja transmitida pelas vias internas ao local de destino. Esta tecnologia de condução pelos ossos já existe no Japão há dois anos nos telefones fixos, sendo utilizada sobretudo por idosos com problemas auditivos, e mesmo no nosso país a mesma é utilizada por exemplo nas hastes dos óculos de crianças que sofrem de surdez profunda. Trata-se no entanto a primeira vez que é aplicada aos telemóveis. O mercado japonês dos telemóveis, altamente concorrencial, é dominado pela NTT DoCoMo, que em Novembro anunciou estar a preparar para 2005 o lançamento de um novo modelo para usar no pulso e que usa um dedo como auscultador. O aparelho, semelhante a um relógio de pulso, converte o som da voz em vibrações transmitidas aos ossos da mão, incluindo os dos dedos. Bastará então aproximar um dedo de uma orelha para ouvir o interlocutor e usar o microfone da pulseira para falar. Como esse telemóvel não tem teclado, o utilizador terá de dizer o número para o qual quer falar e um sistema de reconhecimento vocal incorporado fará a ligação. Para chamar ou terminar uma conversa telefónica, bastará premir o polegar contra o indicador. Masaaki Fukumoto, engenheiro dos serviços de investigação multimedia da NTT DoCoMo, disse há três anos que lhe surgira o conceito desta tecnologia, baptizada “Murmúrio do Dedo” (Finger Whisper), durante uma conferência sobre telemóveis realizada em 1997.