Jornais: cada vez menos papel, cada vez mais Internet

Vendas tradicionais caem e acessos em novas plataformas crescem

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Jornais

A leitura de jornais impressos está cair em todo o Mundo há várias décadas, numa tendência que se acentuou nos últimos cinco anos e está a gerar uma procura desesperada de novos modelos de negócio, refere a Lusa.

De acordo com um relatório de 2009 da Associação Norte-americana de Jornais, a circulação de diários pagos começou a sua tendência de queda em 1990, tendo entrado em colapso nos últimos cinco anos.

A associação alerta que, contudo, a circulação por habitação está em declínio já desde 1960, tendo as receitas de publicidade começado a baixar há 10 anos.

Para acompanhar este fenómeno, Paul Gillin, um veterano do jornalismo especializado em tecnologia, lançou em 2007 o «Newspaper Death Watch» (Observatório da Morte dos Jornais), site onde afirma que as «tectónicas» transformações que se estão a operar no mundo dos media «vão destruir 95% dos maiores diários citadinos norte-americanos».

O site lista 12 jornais diários citadinos que fecharam nos Estados Unidos e outros oito que optaram por versões apenas online ou projectos híbridos de redução de periodicidade em papel e aposta na Internet.

A transição de um jornal do papel para o online, ou mesmo a tentativa de fazer convergir os dois suportes, tem-se revelado difícil, com especialistas a defenderem que, na verdade, a integração das redacções é rara ou inexistente.

«A integração de um órgão tradicional com a plataforma online não tem sido fácil em lado nenhum», declarou o jornalista e professor da Universidade Nova de Lisboa António Granado à agência Lusa.

«Mesmo a nível mundial, não sei se há alguma redacção completamente integrada», adiantou, contando uma anedota que corre a este propósito: “diz-se que a integração das redacções é como o sexo na adolescência: todos falam do assunto, todos estão muito interessados, todos dizem que fazem, mas a verdade é que poucos praticaram».

Também Helder Bastos, docente na área da comunicação na Universidade do Porto, tem uma visão pouco optimista, considerando que, «quando um jornal em papel acaba e fica tudo online, o que geralmente acontece não é integração mas desintegração das redacções» e «não se pode falar de fusão mas de perda de jornalistas».

Os jornais portugueses estão a perder audiência em papel, mas cada vez são mais consultados na Internet, de acordo com os dados estatísticos mais recentes.

No final de Agosto, a Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação (APCT) revelou que no primeiro semestre de 2010 se venderam menos cerca de oito milhões de jornais diários do que no mesmo período de 2009.

Os diários de informação geral registaram as maiores quedas, perdendo, no total, cerca de 30 mil clientes por dia, uma diminuição de 9% face ao primeiro semestre do ano passado.

Na Internet, a tendência tem sido inversa, com subidas constantes dos números de visitas a sites de notícias e de páginas visitadas em cada site. Comparando os rankings dos meses de Agosto de 2009 e de 2010 do medidor de tráfego de entidades web Netscope, verifica-se que todos os sites de jornais diários tiveram subidas de audiência.

Para João Canavilhas, professor da Universidade da Beira Interior especializado em webjornalismo, a nova geração «está mais habituada a novas plataformas», pelo que, naturalmente, também se habitua a ler notícias difundidas através da Internet.

Por isso mesmo, os meios de comunicação nacionais apostam cada vez mais em novas plataformas.


Cristina Brites – Telemoveis.com

*** Este texto NÃO foi escrito de acordo com o novo Acordo Ortográfico***

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