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Tecnologia no Surf

Tecnologia no Surf

terça, 07 março, 2017 /
Tecnologia no Surf

A tecnologia no surf está a causar profundas transformações.

 

Portugal Surf Guide App 03O surf, tal como o conhecíamos, morreu. A popularidade online deste desporto, que a Ask Men UK afirma cativar 128 milhões de fãs em todo o mundo, está em declínio desde 2004, quando o Google Trends começou a registar as tendências da web.

Más notícias para as grandes marcas da indústria, boas novas para os genuínos fãs de surf, não conhecidos pela apreciação de multidões em eventos do nicho.

 

 

Em Portugal o surf mobiliza mais de 10 mil atletas federados e 60 mil praticantes. A isto somam-se mais de quatro mil pranchas de surf vendidas anualmente no país e um mercado de material técnico no valor de 100 milhões de euros, segundo dados da Federação Portuguesa de Surf. Estes dados são de 2012.

Num artigo publicado no Expresso, em 2015, é possível conhecer outros números relativos a Portugal, sobre o impacto económico do surf.

O facto é que o desporto até pode estar a perder a veia mainstream que o caracterizou outrora (dizem os insiders), mas nem por isso deixa de ser um nicho que apela às marcas e empresas. O sector das novas tecnologias, um dos que menos associamos ao surf, é um dos responsáveis pela sua profunda transformação.

Embora o surf por excelência seja ao ar livre, é nas redes sociais que se estabelecem ligações entre fãs e atletas. Nem todos são, admitidamente, fãs desta nova relação tecnológica (‘Is Social Media Threatening Surfing’s Authenticity?’), mas basta conferir estes números para perceber que o surf tem uma presença relevante nas redes sociais.

 

 

First love always ?

Uma publicação compartilhada por Anastasia Ashley (@anastasiaashley) em

 

Os wearables são um pouco menos óbvios, mas estão a revolucionar a capacidade de recolher e analisar dados da indústria. Propostas como o Rip Curl Search GPS, um relógio inteligente moldado para surfistas, resistente a água, ajuda a determinar métricas como o número de ondas surfadas, número de ‘paddles’ ou velocidade dentro de água.

Dentro do mesmo espírito, a Trace - especializada em board tracking - desenvolveu um monitorizador de actividade física que está atento ao desempenho do surfista enquanto recolhe dados sobre as ondas, que de seguida converte em relatórios.

Dados úteis quando se é um atleta profissional.

 

Tecnologia no surf

 

O vídeo é outro sector importante para os surfistas profissionais. Na hora de registar manobras e ondas, a GoPro é a marca por excelência (há dúvidas quanto a isso?) e assume uma postura quase tradicional na captura de imagens de alta resolução, que os atletas partilham com os treinadores na procura de feedback.

Mais recentemente a recolha de imagens em contexto de surf profissional sofreu um upgrade graças à introdução de drones comerciais, que oferecem uma nova perspectiva na recolha de vídeo. Os drones têm a vantagem de voar próximos da água sem interferirem com as manobras dos surfistas.

 

 

Mas no surf nem tudo gira à volta dos atletas. Um exemplo disso está na Smartphin, uma barbatana ‘hi-tech’ equipada com um sensor que mede a acidez, níveis de salinidade e temperatura da água. Os dados recolhidos são depois enviados para o smartphone do utilizador.

Menos previsível, mas igualmente influente, é o papel da realidade virtual na divulgação da experiência do surf. Em 2015, durante o US Vans Open, a Samsung convidou o público a experimentar uma simulação, em cima de uma prancha em movimento, acompanhados pelos Gear VR Innovator Edition.

 

 

Esta abordagem corre o risco de parecer bizarra sob a perspectiva portuguesa, tão próxima do mar, mas em países onde o contacto com as ondas é mais limitado, a realidade virtual pode ser um modo válido de experimentar as sensações proporcionadas pelo surf.

A relação entre surf e tecnologia ainda é susceptível de causar uma certa estranheza. Greg Kroleski, fundador da SurfScience.com, diz que "os surfistas têm uma relação muito estranha com a ideia de 'novo'. Apesar de alguns estereótipos comuns, temos tendência para ser um grupo conservador no que diz respeito a aceitar mudanças. Gostamos das coisas como são, e com todo o direito."

No entanto, tudo o resto mudou.

"Para mantermos o status quo, temos de nos adaptar", escreve.

"Enquanto surfistas, precisamos de desenvolver uma relação saudável com o que é 'novo'. Precisamos de tratar a tecnologia como um work in progress e abordá-la abertamente. Precisamos de ser críticos e honestos".

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