Skip to main content

Messaging & estratégia de aumento de receitas dos operadores…

Depois da voz, as redes móveis vivem a aurora do império dos dados. E-mail, imagem, vídeo streaming e similares são a grande aposta para sustentar o crescimento do sector. Uma aposta ganha?

Com o progressivo esgotamento do mercado e taxas de penetração que, em Portugal, orçam a casa dos 85 porcento potenciais (abstraindo a faixa da população que não pode usar telefone por ainda não saber falar ou já não ter nada para dizer) para um total já superior a oito milhões de utilizadores, na impossibilidade de captar mais clientes, resta aos operadores, pressionados pela concorrência e pelo abate dos tarifários, desejando aumentar o lucro, fazer crescer o ARPU (receita média por cliente) o que implica sobretudo, na impossibilidade pela lei da utilidade marginal decrescente de aumentar infinitamente o uso a dar às chamadas de voz, em criar e levar os utilizadores a utilizar novos serviços, sobretudo na área dos dados e da Internet móvel.

A pressão é tanto maior quanto a «panaceia» UMTS se relevou uma miragem distante. Da tecnologia, os operadores estão hoje centrados no desenvolvimento de serviços. Estes caiem fundamentalmente em duas categorias: serviços de comunicação pessoal e serviços informativos.

Na primeira categoria cabem todas as aplicações capazes de permitirem a troca de serviços de dados e voz, mesmo em diferido, sobre a forma de pequenos clipes de som a enviar nas MMS e, a prazo, através do videostreaming. No segundo caso incluem-se os serviços de valor acrescentado criados em torno do SMS, o E-mail móvel, capaz de gerar tráfego de dados, os serviços informativos de toda a sorte, alguns com recurso à georeferência, e o MMS.

Desde Junho de 2000, cerca de 128 redes GPRS, capazes de prover tecnologia para os novos serviços, iniciaram já a exploração comercial. Porém, dois anos volvidos, o total de subscritores ascende ainda há cifra modesta de 2,5 milhões – muito pouco quando se pensa que os serviços Cdma, usados sobretudo no Japão, já ascendem a cerca de 8,4 milhões de utilizadores.

Se numa primeira fase a desculpa com o GPRS era a mesma que preside largamente ao retardamento do UMTS, a indisponibilidade de terminais, cedo se percebeu que o problema era outro: a falta de aplicações e conteúdos para oferecer.

É neste contexto que as esperanças depositadas nos serviços MMS (capazes de conjugar por ora num formato com o tamanho limite de 30 KB, texto, som e imagem) debutantes em Março deste ano, e correntemente já suportados na Europa e na Ásia por aproximadamente cinco dezenas de redes, são assim muitas com cada mensagem a custar, em média, quatro vezes mais do que um clássico SMS.

Mas o «clássico» SMS ainda está muito longe de obsoleto. O ano passado foram enviadas a nível mundial cerca de 102,9 milhares de milhões destas mensagens. De acordo com estudos prospectivos da Gartner Dataquest este número deve subir este ano para 146 milhares de milhões e para 168 milhões em 2003, ano após o qual o uso do serviço deverá começar a declinar.

A expectativa é ainda de uma duplicação até 2006 das receitas do conjunto dos serviços de «messaging» móvel, de cerca de 13 milhares de milhões de euros o ano passado para 22,3 milhões, com o número de MMS enviadas a suplantar os SMS já em 2005 e o tráfego de dados a suplantar o de voz no ano seguinte, o que não será despiciendo a partir do momento em que a oferta de acesso sem fios por banda larga, via as redes de 3G, seja uma realidade.

Uma visão pragmática, no entanto, tem de levar em consideração que, apesar das tentativas de simplificação máxima já empreendidas, a composição de um MMS se revela mais complexa e as dificuldades técnicas de taxação do GPRS maiores do que um SMS simples via GSM. Factos que podem contribuir para desincentivar o uso e impedir a inversão da tendência actual que dá como média a substituição dos terminais num prazo de 18 meses.

Muito provavelmente, per si o MMS não será «killer application» suficiente para sustentar o crescimento esperado até porque, não existindo apetência auto-sustentada, a conjuntura do mercado também não parece favorecer os massivos investimentos em publicidade para promover o serviço.

As esperanças vão assim, em segunda instância, para o E-mail móvel, para uma integração mais próxima com a Internet e para os serviços de Mobile Instanting Messaging, transpondo para os telemóveis e imediatamente para as redes GPRS com a facilidade de ligação permanente o sucesso do popular ICQ.