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Compreendo
O Samsung SGH-N620 perante as hipóteses meta-históricas

O Samsung SGH-N620 perante as hipóteses meta-históricas

sexta-feira, 24 maio, 2002 /
O Samsung SGH-N620 perante as hipóteses meta-históricas Onde, a seu propósito, se faz o inverso da resolução do visor de um terminal e se explica em tom hermenêutico e difícil de ler a valia de um aparato a quem chamam móvel, porém já menos por ele próprio se mover do que por permitir que nós próprios comuniquemos sem o fazer, mesmo nos locais mais esconsos, no que - observe-se - paradoxalmente também poderemos ser demovidos da possibilidade de, desejando-o, nos mantermos imóveis e sós ou, se preferirem, reféns da obrigação igualmente má de permanecermos de ouvidos abertos. Samsung N620

Quando a poalha assentar; quando, muitos anos volvidos, homens mais puros em sistemas políticos mais justos emitirem juízos eles próprios superiormente imparciais sobre a nossa realidade, num tempo que se achará então distante dos terminais móveis actuais, forem as almas cultas levadas a olhar atrás sobre os objectos inanimados o efeito produzido será algo semelhante ao que nos leva estes dias à sensação de contemplarmos a história daqueles rebocadores que sob o Atlântico, faz tempo, lançaram os primeiros cabos submarinos. Nos museus dessa vindoura Era ao tema das comunicações móveis consagrados, como safiras, cristais e relíquias muito antigas e valorizadas, plenas de metais que já não existirão e protegidos por redomas que ainda não existem, então, insinuamos, por entre as brumas da memória, como certos broches e peças de relojoaria que subsistem em certas galerias de arte antiga, alguns telemóveis se erguerão atrás do vidrado dos escaparates. De entre estes últimos o Samsung N620 marcará presença e arrepanhará - ainda nessa altura, com um frémito de nostalgia e inclinação para o valeta que a perpassará - a pele das damas, saudosas dos tempos onde ainda havia estilo, onde ainda havia elites, onde os objectos ainda podiam marcar diferenças (que saudades delas) onde ainda havia espaço para o «bom» gosto e ninguém comunicava por chips uniformes, sem estética por mais qualidade, implantados sob a pele.

Quando enfim, ousamos imaginar, o GSM repousar como memória muito antiga de uma tecnologia muito tosca e já não houver redes locais sem fios nem memória, registo ou peças nos armazéns para coisas como «o» blueetooth restando apenas a telepatia. Quando a biotecnologia progredir ao ponto de a mente dispensar a intermediação nefasta e pouco eficiente dos teclas, monitores e tempos mortos de leitura, lado a lado com os seus ruídos e a comunicação se fizer, de mente a mente, pela transmutação subtil, sibilina, intangível, tranquila e tranquilizante da informação, nessa altura, amigos, o led azul de um intenso tom brilhante, todo o teclado iluminado e, mais ainda, as duas teclas cardinais que marcam como uma marca de fogo impressa na coxa de certas vacas a sujeição caturra a uma certa lógica de dualidade que não vive sem o valor ao opostos, então, o modelo vertente da Samsung será recordado, por estudos comparativos e laboratoriais, como arquétipo puro e desiderato do que em tempos, em torno da última década do milénio que passou e a primeira do milénio que já irá avançado, foi o melhor de certa fase da tecnologia das comunicações móveis. Samsung N620

Os cientistas hão-de destacar componentes e aplicações, chamados a ilustrar teses, formulando mesmo algumas hipóteses fáceis a partir de dadas funcionalidades. Exemplo. A hipótese de que éramos uma sociedade reprimida e frustrada que vivia intranquila e precisava de induzir catarses e instantes lúdicos, recorrendo para tal a artifícios. Uma sociedade onde a memória falhava muitas vezes e se precisava de agendas. Onde ainda não se tomavam comprimidos - nem os suficientes nem os certos - e era necessário recorrer às agendas e suscitar esgares usando «jogos». O «Fortaleza», divertida saga em que o jogador olha para o visor do seu telefone como quem perscruta o céu de um qualquer ambiente urbano em busca da manifestação de alguns Ovnis que urgia abater com uma bateria segura de silício ou a «Caverna do Gelo» ou o «Quadrados», entre os 3 que o N620 oferecia.

Olhando este Samsung haverá então, entre esses doutos iluminados, quem entenda a polifonia capaz de reproduzir dezasseis tons como signo indesmentível de melomania. Melhor ainda, auscultando os toques, de amor à música clássica e à história. Devoção ilustrada pela vasta selecção de trechos de compositor de sempre.

Com 83 gramas de peso o N620 será visto como honestamente ergonómico para a altura, pese embora o cucruto da antena. A sua robustez pecando não obstante por um factor: deixando-o cair sob um soalho de cinema, alcatifa rasteira, da altura média de um bolso das calças ou casaco (coisa muito comum nos tempos onde imperavam os baixos centros de gravidade) resultava segura na separação da bateria do corpo do telefone. Coisa que não sucedia da mesmíssima elevação mas sob soalho de madeira.

À parte de tudo isto, e pelo que haveria ainda de direito próprio a apartar, não se esqueça, enquanto é tempo, de sustentar - você que vive no presente - as suas reflexões metafísicas com uma reflexão imediata e aturada sobre os detalhes técnicos do modelo no nosso expositor, clicando em «características» no menu mais acima incluído.

HDV

Nota da Redacção:

O sentido mais ou menos comum da opinião do grupo de leitores que em boa hora optou por exprimir a sua própria «apreciação» à «crítica» do Telemoveis.com ao Samsung SGH-N620 (leia-se os comentários abaixo) enche-nos de regozijo e gratidão. Uma comunidade de leitores atenta; exigente e interventora constitui a aspiração e o regalo máximos de qualquer órgão.

Observamos não obstante face ao tom mais ou menos insatisfeito imperante, porque a opinião dos nossos leitores é para nós de capital valor, que o Telemoveis.com não se impôs no seio da comunidade de internautas portugueses por outra coisa que não pela absoluta boa fé e lisura das suas práticas e tratamento dos seus conteúdos.

Somos, dentro da temática, o único site informativo português onde os leitores dispõem da possibilidade de deixar em tempo real o que pensam dos assuntos tratados e inclusive do tratamento que lhes é dado. Mais importante: onde essa opinião, por contrária que seja à nossa, quando minimamente polida, é - com muito agrado - deixada à consideração de todos.

A pluralidade cultivada é, parece-nos, a maior prova de integridade. E a integridade, acreditamos mais ainda, constitui a primeira e a última coisa que os leitores nos podem exigir.

Erguemo-la contra qualquer concepção apoucante e redutora da dimensão viva e crítica da consciência face à mera glorificação dos "objectos" ou das "técnicas", quaisquer que eles sejam. E o terminal em apreciação é, por sinal, um modelo de extrema valia que nos proporcionou o maior regalo.

Os "reviews" de terminais do Telemoveis.com servem muitos propósitos: não querem nem podem limitar-se a descrever factos (e na pura dimensão quantitativa a extensão e profundidade do nosso expositor falam por si).

Por conseguinte: estaremos sempre abertos a todos os contributos, como os deste nosso colaborador, que nos possam trazer um enfoque novo sobre as matérias tratadas. Mesmo que este não seja acessível à maioria; mesmo que ele não seja o mais fácil ou digerível.

O Samsung N-620 não é, desiludam-se os que (talvez por não amarem tanto como nós as comunicações e os terminais móveis) preferem as leituras simples, um mero aglomerado de materiais unidos em ordem à disponibilização de um conjunto de funcionalidades. É um objecto vivo que encerram uma carga simbólica; uma fenomenologia que corresponde a um tempo e a um espaço mas que, no entanto, se pode e deve, para quem cultive o gosto pela inteligência, legitimamente extrapolar e ler na integra do sentido mais global da História, da marcha e organização sociais.

Quanto à forma (porque é sobretudo ela que está aqui em causa) ela é sem dúvida original e nova. Como tal, suscitou compreensivelmente reacções epidérmicas de alguma estranheza. É natural.

Como natural e saudável é que os portugueses de todos os quadrantes amem a língua que falam.

No Telemoveis.com nunca nos esqueceremos de que a comunicação mais eficiente tem mais que ver com o ideolecto de quem lê do que com o narcisismo de quem escreve. Recusamo-nos, porém, a absolutamente adoptar a crença - comum em muitos e com muitos tristes e visíveis reflexos - na preguiça mental do leitor. Respeitamo-lo, temo-lo como amigo, nunca o infra-valorizaremos!

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