Movensis – Do SMS ao UMTS

O Telemoveis.com esteve à conversa com Vasco Pinto Ferreira, Director Geral da empresa, e ficámos a saber o que pensa do mundo das comunicações.

O Telemoveis.com foi de bloco e gravador em punho para o Tagus Park, mais concretamente em busca da Movensis, criada pela Cofina.com em parceria com a Tinta Invisível, e que desenvolve conteúdos e soluções para sistemas móveis. Depois de uma atribulada busca que envolveu alguma destreza física, encontrámos por fim a porta de entrada, onde Vasco Pinto Ferreira, Director-Geral da empresa (e que entretanto já nos tinha visto passar junto à sua janela), nos aguardava.

Fugindo um pouco ao molde da entrevista pergunta/resposta, ligámos o gravador e estivémos à conversa. “Somos uma empresa de sindicalização de conteúdos. Esses conteúdos vão desde a parte empresarial ao entretenimento, que no futuro, irá ter um peso muito mais significativo”. Foi assim que Vasco Pinto Ferreira começou por definir a Movensis, não deixando contudo de salientar que a palavra conteúdos tem sido mal interpretada, porque “conteúdo é tudo o que contém, podem ser aplicações, serviços, jogos, e não apenas conteúdos de escrita”. Má interpretação esta que  levou ao aparecimento de inúmeras empresas ditas de conteúdos para o UMTS, com a consequente especulação vinda do Nasdaq, que prejudicou o verdadeiro mercado. No ar ficou uma dúvida, com a tonteria especulativa existente, afinal o que é uma dot com?

WAP, GPRS e UMTS: As frustações, os erros, e a salvação.

Quando indagámos Vasco Pinto Ferreira acerca do UMTS e possíveis atrasos, a reflexão que a partir daí surgiu revela que só é possível ter-se dúvidas quando existe uma profunda consciência sobre onde estamos e onde queremos chegar. Na sua opinão o GPRS vai salvar os dois, WAP e UMTS, nomeadamente da insatisfação em relação ao primeiro “Confundiu-se WAP com Internet, o WAP não é Internet, vai buscar informação à Internet, o que é completamente diferente”. Quanto ao UMTS, o atraso não é surpresa, e o GPRS vai de certa forma atenuar esse atraso, já que, segundo Vasco Pinto Ferreira, o GPRS irá disponibilizar muitos dos serviços e conteúdos, com a diferença que o UMTS terá de facto uma muito maior capacidade em termos de multimédia.

E agora a Movensis. Sonhos, projectos e enquadramento

Ainda sobre o desaire do WAP, o nosso entrevistado começou por criticar o modo como os operadores implementaram o protocolo. “Cada operador investiu muito lançando canais dos quais são donos e tentaram impôr o seu próprio modelo de negócio. Se em vez disso tivessem criado regras de negócio e mais canais, teriam conseguido alcançar a massificação, à semelhança do I-Mode”. Na opinião de Vasco Pinto Ferreira, o facto de não haver nenhuma metodologia em termos de WAP, como por exemplo a introdução da característica Time-Sensitive. “Se o telemóvel souber que são oito da noite se calhar interessa que dê informação sobre os cinemas, os restaurantes, o trânsito. Ao fim de semana, se calhar o trânsito já não faz tanto sentido, ou tem que ser adequado às circunstâncias. Os menus têm que ser temporizados do ponto de vista do momento em que faz sentido ter determinada oferta, e do local em que se encontra o utilizador. A informação tem que ser contextualizada”. O nosso entrevistado levantou um pouco do véu em relação a uma solução que a Movensis está a desenvolver com a Ericsson, com a qual assinou um acordo, que irá por certo revolucionar a forma como vemos os sites WAP. Dizemos-lhe apenas que os menus, tal como os conhecemos, serão suprimidos.

A Movensis aposta claramente para que, no futuro, exista uma forte personalização de cada terminal tendo em conta o público alvo. E a massificação só será possível quando novos e velhos possam utilizar, sem entraves, estas novas tecnologias. “Enquanto aqueles que constróiem aplicações ou que põe serviços na Internet, quer fixa quer móvel, vierem com a palavra set up ou proxy, as pessoas não têm tempo nem querem saber”. Os terminais do futuro serão, no entender do director-geral, uma extensão de nós próprios, “serão pessoais como a escova de dentes, que pela tendência dos PDA’s e do Smartphone da Ericsson, ou do Communicator da Nokia, estes novos equipamentos terão conhecimento interior para fazer a agenda do nosso dia-a-dia, ao ponto de, se houver uma aplicação que interligue com a nossa base de dados, mas que consiga garantir ao seu utilizador a devida privacidade, poder gerir o dia-a-dia de acordo com os nossos sentimentos, e enquanto a personalização nos sistemas móveis não for entendida como uma forma de mexer com os sentimentos das pessoas, respeitando e permitindo que ele seja dono dessa base de dados, enquanto os operadores na Europa não se entenderem para criarem sistemas de micro-pagamento, então não vamos a lado nenhum, e vamos perder anos de atraso em relação ao I-Mode da DoCoMo”.

No dia 1 de Dezembro, e em colaboração com os seus parceiros de geo-referenciação, técnicos de inteligência artificial, Universidade do Minho e a Ericsson, a Movensis vai apresentar um sistema que vai combinar todas estas características e vai permitir algo de inovador na forma como se utiliza os sistemas móveis. Nome? Ainda não se sabe.

Em termos de projectos imediatos, a Movensis irá lançar para a semana um produto denominado SMS-Empresas, site esse que irá fornecer às empresas ou utilizadores a possibilidade de enviarem SMS,  mediante a compra de um pacote de mensagens ou assinatura. Poderá parecer banal se não levarmos em conta que o produto incorpora um conjunto de funcionalidades como a gestão de uma base de dados de contactos, o envio para grupos de contactos, a recepção e tratamento automático de mensagens, a calendarização de envios, a geração de mensagens de alerta e notificações, o envio de mensagens com resposta, enviar um SMS urgente para o técnico de serviço quando o sistema falha, efectuar uma comunicação a todos os colaboradores, efectuar sondagens de opinião, implementar serviços noticiosos periódicos ou fornecer conteúdos após um pedido de um cliente.

Acima de tudo, a comunicação e as comunidades

Em jeito de reflexão final, o público alvo da Internet Móvel não pode ser definido por extractos sociais, crenças, convicções políticas, interesses económicos e idades, mas sim por comunidades e interesses, e a publicidade tem que ser de certo modo direccionada para as comunidades, mas para isso é necessario que as agências percebam como é que as pessoas se juntam.

A Movensis, na pessoa de Vasco Pinto Ferreira tenta rasgar ideias e preconceitos, para um mundo em constante comunicação, 24 horas por dia, sem proxys, nem set up’s.