Panasonic GD87: competente mas insuficiente

Distribuído no serviço Live! da Vodafone, este modelo da marca japonesa demonstrou que às vezes é preciso algo mais do que apenas estética: falta por exemplo o Java.

O Telemoveis.com teve em seu poder o Panasonic GD87, o último terminal que a Vodafone disponibiliza com o seu serviço Live!. E a impressão com que ficámos é que o serviço em si ainda está numa fase de amadurecimento (as peripécias são contadas um pouco mais à frente), mas o telefone, apesar de ser competente nas suas funções básicas, revelou-se algo deficiente quando lhe eram exigidas algumas tarefas mais puxadas.

Panasonic GD87 O primeiro obstáculo foi a configuração do serviço. É certo que os terminais vêm à partida configurados, mas o que nos chegou à redacção já tinha passado por outras mãos, que lhe deram um toque de “personalização” muito própria.

O que se seguiu foi uma série de telefonemas para o serviço de apoio a clientes. Curiosamente o SMS de configuração automática não surtiu qualquer efeito, já que quando recebida, a mensagem apenas permitia a seguinte e única opção: “Apagar mensagem?”. Mas a prestável senhora lá me ditou as várias configurações, que encheram quase duas páginas A4 de gatafunhos grosseiros de tamanho mais ou menos generosos, digamos que, para terem uma ideia, se tratava de um tamanho 16 de um processador de texto.

Adiante, o serviço já está “minimamente” configurado e é tempo de aceder ao Vodafone Live! Sem grandes rodeios podemos afirmar que de facto a publicidade por vezes é uma amante cruel. Se bem se recordam dos anúncios, a imagem que retivemos foi a de David Beckham a jogar alegremente um joguinho de naves na bicha do supermercado.

Confesso que tentei o mesmo, mas a ausência de Java no Panasonic GD87 não me permitiu aceder a este tipo de jogos. Os únicos a que tivemos acesso foram jogos de pergunta-resposta algo entediantes e que se revelaram num gasto desnecessários de preciosos Kbytes.

Louvor para o serviço Perto de Mim, que me “desenrascou” na perfeição quando necessitei de uma farmácia de serviço a horas pouco católicas, e das informações sobre restaurantes, cinemas, etc.

Já no que diz respeito a outros serviços, caso do chat e outros, gastámos novamente Kbytes para receber a informação de que o serviço ainda nãoPanasonic GD87 se encontra disponível.

Mas deixemos por agora o Live! e concentremo-nos no telefone propriamente dito.

Quando se abre o telefone o que de imediato salta à vista é o visor TFT de 65 mil cores, com uma resolução de 136×176 pixels, que permite uma visualização de oito linhas de texto.

Na outra “metade” do telefone fica o teclado. E aqui temos que salientar que este é dos melhores que já tivemos oportunidade de pressionar. São de plástico, bem dimensionadas e espaçadas, e embora a sua saliência em relação ao telefone seja mínima, a sua utilização é bastante confortável.

E já que estamos a falar de teclas, uma nota muito positiva para o T9 deste telefone, que é dos melhores a que já tivemos acesso. Vocabulário rico e variado.

Voltando ao visor, ficámos agradados com as 65 mil cores que o TFT debita, mas o mesmo já não se poderá dizer da qualidade da câmara. Começando pelas molduras que se podem acrescentar, tirando uma ou outra, são de gosto duvidoso e francamente não ficámos com vontade de usar nenhuma. Os efeitos que se podem juntar às fotos (Sépia e Negativo, por exemplo), esses sim, são do nosso agrado.

Em relação à câmara em si, aquela que equipa o GD87 utiliza lentes CMOS, e possui zoom (1x). No entanto, apenas permite tirar fotografias com uma resolução de 132×176. Comparando com a Ericsson MCA-20 (640×480) ou o Nokia 7650 (640×480), o GD 87 é o que tem de facto menos capacidade de resolução. As fotografias tiradas no telefone tem bom aspecto apenas no visor, mas perdem muita qualidade no ecrã do computador.

De referir ainda para além do MMS, é possível enviar as fotos através de um normal de SMTP. Aliás, foi a única forma que resultou connosco, já que a interoperabilidade é uma realidade na teoria, mas na prática as coisas ainda estão um pouco “emperradas”.

Em termos de autonomia, segundo o fabricante, a bateria de Li-ion de 720 mAh tem uma capacidade de 220 horas em stand-by e 7,5 horas em conversação. Na prática o telefone aguentou dois dias sob uso intenso (câmara, jogos, Live!, etc.). Num uso mais moderado o GD87 aguentou três dias até necessitar uma recarga completa, que demora aproximadamente duas horas a ser efectuada.

De uma maneira geral, trata-se de um terminal simpático, de design atraente, com boa qualidade de som (também em alta voz), mas cujos toques polifónicos de 16 tons nos pareceram demasiado baixos quando por exemplo vamos na rua e levamos o telemóvel no bolso, funcionando muito melhor no modo de vibração. Dos três terminais disponíveis com o serviço Live! parece-nos ser de facto o mais fraco, mesmo tendo em conta que é o mais barato de entre os três disponíveis.

 

A.T.