PT reunida e Sonae fala mais logo

Governo não comenta anúncio de OPA.

O sector das telecomunicações está completamente eléctrico com o anúncio da Oferta Pública de Aquisição da Portugal Telecom, feito ontem por Belmiro de Azevedo. O dono da Sonae oferece 9,50 euros por cada acção da PT e 5 mil euros por cada obrigação convertível. Sõa mais de 11 biliões de euros, mas Belmiro admite subir o preço. Tanto mais que as acções da PT já valorizaram hoje até aos 10 euros, o seu valor mais alto desde 2001.

A OPA é subscrita pela casa-mãe da Sonae, a holding Sonae SGPS, pela sub-holding para o sector das comunicações, a Sonaecom, e ainda pelo garante financeiro, o Banco Santander. A única condição é alcançarem o controlo da PT, ou seja, 50,01% do seu capital accionista.

Entretanto, o primeiro-ministro recusa comentar o anúncio. Recorde-se que o Estado tem uma golden-share na PT e, portanto, uma palavra a dizer sobre o negócio, mas José Sócrates diz que o assunto será debatido no local próprio: a assembleia de accionistas

Ora, o negócio tem o seu quê de curioso pois os principais accionistas da PT são o Grupo Espírito Santo e o gigante espanhol de telecomunicações Telefónica; quanto à Sonaecom, um dos seus accionistas é o gigante francês de telecomunicações France Télécom. E, se o negócio se concretizar nas condições actuais, a Sonae passar a ser parceira das duas grandes rivais.

Por outro lado, como a Sonae detém a Optimus e a PT detém a TMN, há ainda que esperar pela palavra da Autoridade da Concorrência.

Mas, mais curioso ainda, será esperar pelo que acontecerá se a OPA avançar. Como já comentou Pedro Norton de Matos, ex-presidente-executivo da ONI citado pelo «Público», a Sonae tentou fazer concorrência ao operador incumbente, a PT, mas deparou-se com «profundos estrangulamentos, o que impedia que as leis de mercado funcionassem». E como nem as queixas a Bruxelas provocaram alterações na regulação, «vai tentar agora uma solução diferente».

Resta ver se o Estado permite e se a Telefónica não contra-ataca para ficar ela com o controlo da PT.

Em termos políticos, já está instalada a polémica: o empresário e deputado do CDS-PP António Pires de Lima elogia a iniciativa da Sonae e pede que se deixe o mercado funcionar; o PSD não comenta, comentando (Marques Mendes diz que um político não deve comentar o que é «uma operação económica e da vida do mercado», o que deixa perceber a sua posição); o Bloco de Esquerda tem muitas reticências ao negócio que vê como uma tentativa de concentração monopolista e defende que o Estado faça uso da sua golden-share.

Entretanto, a administração da PT está reunida a analisar a situação e a da Sonae anunciou uma conferência de imprensa para o final do dia de hoje.