Redes móveis nacionais: qualidade é satisfatória

O ICP deu nota positiva às redes móveis portuguesas. As três operadores ainda têm uma ou outra aresta a limar, mas são consideradas das melhores da Europa.

O Instituto de Comunicações de Portugal apresentou hoje os resultados dos testes feitos às três operadoras de telecomunicações móveis nacionais. Na generalidade, os serviços são de qualidade, apesar de haver ainda alguns pontos a reflectir e alterar. E este ano o teste alargou-se às regiões autónomas.

Tudo esteve em avaliação, desde a cobertura à qualidade dos serviços prestados. Luís Nazaré, presidente do ICP, em declarações à TSF, mostrou-se agradado com os resultados obtidos, embora considere que há ainda algumas questões a contornar.

O mesmo responsável por aquele organismo disse ainda que haverá algumas empresas que não irão gostar de ver os resultados, mas como comenta o próprio Luís Nazaré, “É a vida”!

O estudo será detalhado, quer por serviço quer por região. Cada operador deverá tirar as suas conclusões e verificar onde pode melhorar a prestação do serviço. É que, independentemente de se considerar a TMN, a Telecel e a Optimus como dos melhores operadores da Europa, não significa que não haja sempre algo a melhorar. Segundo Luís Nazaré, este teste serve exactamente para isso mesmo.

O relatório está integralmente disponível em: http://www.icp.pt/publicacoes/estudos/qosgsm2001/index.html

Texto do comunicado ICP

Redes móveis melhoram qualidade dos seus serviços

As três redes móveis GSM portuguesas melhoraram a qualidade dos seus serviços entre 2000 e 2001, conclui o relatório sobre a qualidade dos serviços móveis GSM produzido pelo Instituto das Comunicações de Portugal (ICP). Neste período, a qualidade auditiva das conversações melhorou substancialmente. A percentagem de chamadas bem sucedidas mantém os mesmos níveis observados em 2000, apesar do aumento do número de clientes entretanto ocorrido. A cobertura apresenta uma situação menos homogénea, com muito bons níveis no continente e algumas situações a merecer urgente atenção dos operadores nas regiões autónomas.

Estes testes, tecnicamente designados por “Aferição da Qualidade de Serviço das Redes Móveis”, consistem na avaliação de três indicadores essenciais: o nível de sinal, normalmente conhecido por “rede” (Cobertura); a capacidade de estabelecimento de chamadas (Acessibilidade); e a perceptividade das conversações (Qualidade Audio).

Com o relatório agora divulgado, o ICP pretende criar uma base de informação e de trabalho para os consumidores e para os operadores, com o objectivo de promover a qualidade dos serviços prestados por estes últimos aos seus clientes em todo o País.

A análise dos resultados permite concluir que as três redes GSM a operar em Portugal apresentam na globalidade um muito bom nível de cobertura e desempenho, colocando-se a um nível igual ou superior às redes de outros países europeus que realizam testes semelhantes. Apesar disso, subsistem zonas de sombra na cobertura, na maior parte dos casos resultantes da morfologia do terreno e da existência de elementos artificiais que impedem a normal propagação radioeléctrica.

Nos Açores e na Madeira, foram detectados dois tipos de situações: bons níveis de sinal nos maiores centros urbanos e má ou nenhuma cobertura nas zonas menos povoadas e em alguns eixos rodoviários principais por parte de alguns operadores.

A Qualidade Audio é o indicador que mais melhorou face ao observado em 2000. A evolução é muito positiva: em todo o País e no conjunto das três redes, constata-se que mais de 80% das chamadas de testes obtiveram uma boa qualidade auditiva. No extremo oposto, apenas 0,5% das ligações obtiveram a classificação ‘pobre’.

A Acessibilidade, ainda que globalmente boa, apresenta uma situação heterogénea. No continente, a percentagem de chamadas com terminação normal ascende aos 95%, tanto nos eixos rodoviários como nos principais centros urbanos.

Nas regiões autónomas, por outro lado, os índices de terminação normal (Acessibilidade) são bons nos centros urbanos, mas preocupantes nos eixos rodoviários e em zonas menos povoadas. Nalguns casos específicos, a percentagem de chamadas abandonadas chega a ser muito elevada. Esta situação deve-se à existência de zonas não cobertas pelas redes de alguns operadores, evidenciando a necessidade de se proceder a um esforço adicional de investimento.

Os testes foram realizados entre 16 de Abril e 27 de Junho de 2001, nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, em todas as capitais de distrito, nas zonas mais povoadas dos Açores e da Madeira e nos principais eixos rodoviários portugueses.

Para o efeito, foram percorridos 19 834 quilómetros e estabelecidas 40 037 chamadas, durante 560 horas. Nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, os testes estenderam-se aos horários de ponta de trânsito da manhã e da tarde, entre as 8h00 e as 11h30 e as 16h30 e as 20h00.

Cada chamada de teste bem sucedida durou exactamente 100 segundos, um valor aproximado à duração média de cada chamada realizada a partir de um terminal móvel em 2000. Foram estabelecidas ligações móvel-fixo e fixo-móvel, mediante a utilização de terminais dual band, sempre em movimento.

Foi utilizado equipamento específico para este tipo de testes, isentando-os de qualquer intervenção humana ou subjectividade. Os testes são, além disso, imparciais, uma vez que todas as chamadas foram estabelecidas em simultâneo, pelo referido equipamento, para os três operadores. Todas as ligações foram georeferenciadas.

Foram efectuadas medições em Aveiro, Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Portalegre, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu, Porto, Gondomar, Maia, Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Lisboa, Amadora, Cascais, Loures, Oeiras, Sintra, Almada, Seixal, Odivelas, nas ilhas da Madeira, São Miguel, Terceira, Pico, Faial, nas auto-estradas A1, A2, A3, A4, A5 e A6, nos itinerários principais IP1, IP2, IP3, IP4, IP5, IP6 e nos itinerários complementares IC1 e IC19.

O indicador Cobertura foi avaliado com recurso a uma de três classificações: com cobertura, com má cobertura e com ausência de cobertura. Na Acessibilidade consideraram-se chamadas com terminação normal todas aquelas que, uma vez estabelecidas, se mantiveram durante cem segundos, classificando-se as restantes de chamadas abandonadas. A Qualidade Audio foi analisada com recurso a uma conversação simulada, previamente gravada e igual para todas as chamadas, tendo sido utilizada a seguinte classificação: Excelente, Boa, Aceitável, Pobre e Má.

Estes testes, apesar de exaustivos, não permitem reproduzir a experiência pessoal que cada utilizador tem da utilização dos serviços móveis. O seu alcance preciso está, portanto, limitado ao estado real das redes no momento e nos locais de realização dos testes.