Samsung SGH-S300: mini-carrocel colorido

O S300 da família SGH da Samsung é um telemóvel claramente vocacionado para o mercado asiático e que, na Europa, só encontrará eco nos apaixonados pela polifonia levada ao extremo e pela cor… bem definida.

É conhecida a paixão que os asiáticos têm pelos modelos de telefones móveis “dobráveis”, também vulgarmente denominados de “duas folhas” ou “concha”. Aliás, o vasto leque de opções da marca sul-coreana é o reflexo das escolhas do mercado asiático, único nas suas especificidades, mais virado para o segmento do karaoke e dos toques polifónicos – campo em que a Samsung foi pioneira, marcando pontos em relação à concorrência -, do que propriamente nas funções mais práticas e relacionadas com o dia-a-dia do utilizador. Não quer isto dizer que os modelos da Samsung não preencham os requisitos para atacar o mercado europeu e a prova disso mesmo são os resultados que o fabricante asiático está a alcançar, paulatinamente, à medida que a marca se vai tornando cada vez mais conhecida no Velho Continente.

Reconhecidamente com modelos vocacionados para mercados que não o europeu, a Samsung não deixa de sonhar com o pódio. E o S300 pode contribuir para tal. Colorido nos dois ecrãs de que dispõe, este terminal chama a atenção pela sinfonia polifónica que suporta, tal qual um xilofone metálico chinês, mas que não deixa de surpreender mesmo o mais desinteressado pelo fenómeno: afinal, não passa de um telemóvel!

Design

Não se pode dizer que o look do S300 tenha trazido alguma característica inovadora em relação aos modelos anteriores da marca. Ligeiramente mais «afunilado» que o Q200, o espírito de um «duas folhas» mantém-se, embora os seus sinais de diferenciação surjam na tampa quando esta se encontra fechada: o ecrã, também a cores, é mais pequeno e o sinal luminoso de operabilidade – que, quando recebe uma chamada ou uma mensagem, muda de cor e pisca ao ritmo do toque seleccionado, fazendo lembrar as bolas de cristal do velho disco sound dos anos 70! -, são os sinais aparentes de uma personalidade por demais excêntrica.

Monitor

Apesar do fabricante apresentar o argumento dos dois ecrãs coloridos, é sempre o interior que mais dá nas vistas: TFT, de 128×128 pixels, conseguindo debitar 65.000 cores suportadas por um sistema de retro-iluminação de grande qualidade, configurável nas opções do terminal, tanto no que respeita aos valores do ecrã interior como aos do painel frontal (96×64 pixels, com 256 cores). Este último tem uma só desvantagem: desliga muito rapidamente pois assume que, depois de fechada a «tampa», o terminal deixou de ser usado, o que nem sempre corresponde à verdade. Aliás, para quem gosta de tirar partido do auricular – um dos acessórios que vem de origem e que tanta falta faz… – o painel frontal será a única fonte de informação que o utilizador passa a dispor em relação a qualquer dado que queira obter (quanto mais não seja, se a falha de rede é por culpa própria ou alheia).

Teclado

A primeira sensação é pensar «eu já vi este teclado em qualquer lado». Na verdade, a secção de teclas de navegação dá o aspecto sempre familiar a quase todos os modelos, por mais que se queira variar na disposição das teclas. Só para citar semelhanças, basta lembrar o mesmo Q200, o S100, o T400, o P410, e isto porque a funcionalidade mantém-se assim como a operabilidade no escuro: a iluminação do teclado não deixa a utilização nocturna do terminal por mãos alheias.

Software

O software do S300 é bastante acessível e muito fácil de usar. Como se não bastasse, poderá ganhar ainda mais adeptos pelo facto das cores serem simpáticas e poderem dar mais paciência a quem procura alguma função mais escondida, embora as alterações de fundo estejam todas bem assinaladas e as referentes ao aspecto gráfico do monitor possam ser configuráveis através do menu de navegação. Pode-se ainda optar pelo estilo de “página” ou “pasta” para visualizar as opções dos menus. O suporte à linguagem JAVA e os 300Kb de memória abrem sempre uma imensidão de perspectivas a quem pretende explorar e usar o terminal como ponte de acesso ao mundo da informática.

Conectividade

Precisamente por falar em aceder ao mundo da informática, uma das boas surpresas deste S300 é o cd de software adicional que vem com o terminal. O EasyGPRS pode, à primeira vista, não ter grande utilidade mas, exploradas bem as suas potencialidades, pode transformar um simples computador portátil num poderoso meio de acesso à Internet, esteja onde onde estiver, desde que a respectiva operadora tenha cobertura de rede GPRS. Isto porque o Easy GPRS não só faz uma eficaz gestão dos contactos, planeamento de agenda diária, e-mails e serviço de SMS`s como pode transformar o telemóvel num simples modem de acesso à Internet através da rede GPRS disponibilizada pelas operadoras. Ideal para quem tem PC`s portáteis e necessita, urgentemente, de uma ligação à rede global – custos de navegação à parte.

Quanto ao software de gestão, além de ter um interface bastante acessível, as funcionalidades são muito tentadoras, embora o Telemoveis.com tenha detectado uma falha e um pequeno erro ao escrever uma mensagem escrita: escrever com acentuação portuguesa reduz o número de caracteres possível de 160 para 70 (não foi possível encontrar explicação); além disso, depois de dar a autorização do envio, o registo fica só no EasyGPRS, não ficando qualquer indicação no S300 de SMS enviada. Por outro lado, no momento em que estava ser feita a sincronização entre o software instalado no PC e os dados existentes quer no terminal quer no cartão SIM, não havia qualquer indicação (nem na tampa nem no display interior) da transferência que estava ser operada. O que, apesar de tudo, não impediu que a tarefa acabasse por ser concluída com êxito, colocando no PC, à disposição do utilizador, todas as informações contidas no telefone e cartão SIM. O cabo de comunicações (COM) é outro dos acessórios que já vem de fábrica com o terminal.

Bateria

A caixa que chegou ao Telemoveis.com trazia duas baterias, curiosamente ambas Li-ion, de 3.7V e 570mAh, “standard battery”. Apesar de demorar mais do que é habitual a carregar, o tempo de espera é justificado pela autonomia que apresenta, mesmo sendo exposto aos mais elevados consumos de energia, sobretudo no primeiro dia de uso em que os testes e ensaios não deram descanso ao «comilão» ecrã a cores e à polifonia de 40 tons.

Conclusão

Na nova vaga de modelos coloridos, o S300 parece ser uma boa opção. Sem querer entrar pelo mercado das câmaras digitais (deve haver alguém que goste de enviar e receber imagens coloridas e fotografias sem precisar de investir numa máquina mais complexa…), este modelo pode ser uma solução interessante do ponto de vista económico, quando comparado com os preços coloridos da concorrência. Além disso, a Samsung tem sido uma marca que consegue recolher opiniões bastante favoráveis em relação à performance e durabilidade dos seus terminais, num mercado apertadamente competitivo. O design é sempre uma questão muito pessoal, mas a eterna resistência e o fácil manuseamento dos telemóveis constituirão sempre uma receita que todos os fabricantes tentarão perseguir como se estivesse aí a solução para transformar o chumbo em ouro. O S300 não é ouro mas também está muito longe de ser chumbo. Resta saber se o preço agrada…

 

Positivo

Tamanho depois de fechado
Peso mesmo com bateria
A excelência da polifonia
Sincronização com PC

Negativo

A antena continua um apêndice
O facto de ser «dobrável»
Tempo útil do painel frontal
Ainda só permite guardar 50 SMS’s

 

 

Pedro Figueiredo