Smartphones são ameaça para Nintendo

Presidente da Nintendo afirma que smartphones prejudicam vídeojogos tradicionais.

Satoru Iwata, presidente da Nintendo, preveniu os developers para o dano que as aplicações para smartphones estão a provocar na indústria dos jogos, trazendo uma moda que conduz a jogos economicamente insustentáveis e de menor qualidade.

“Temo que o nosso negócio se esteja a dividir de forma a ameaçar a continuidade profissional daqueles que desenvolvem jogos”, referiu na Game Developers Conference, em São Francisco, Estados Unidos. E acrescentou que a Nintendo, que fabrica jogos e hardware especificamente para jogos, seria um melhor aliado que as fabricantes de telefones, argumentando que os preços baixos das aplicações não viriam suster o desenvolvimento sério de videojogos.

O aumento de jogos low-cost para smartphones, que variam do gratuito até aos 4€, contra os peços da Nintendo (entre 40€ a 70€), alterou a forma das pessoas adquirirem e experimentarem jogos. Enquanto que aplicações como o popular Angry Birds são comparativamente menos sofisticadas, e substancialmente menos caras, os custos baixos permitiram à indústria smartphone subir na indústria dos jogos, lucrando valores como 250 milhões de dólares no último ano, dados que deverão aumentar em 2011.

Em contraste, o segmento tradicional das consolas sofreu um choquel: gigantes dos videojogos como a Electronic Arts sofreram baixas nos rendimentos, anunciando novas estratégias mobile como compensação.

Neste contexto, a Nintendo pretende sobressair criando dispositivos que façam aquilo que os telefones não podem fazer. A empresa apresentou recentemente a Nintendo 3DS, uma consola portátil que não precisa de óculos especiais e possui um preço competitivo, comparada com os smartphones.

A 3DS esgotou rapidamente no Japão em apenas alguns dias, desde o último mês, e deverá estar disponível a partir de Março. Vai suportar novas versões de dois dos títulos mais populares da Nintendo – Super Mario e Legend of Zelda -, mas não estarão prontos até vários meses depois do seu lançamento global. A 3DS também permite fazer streaming de conteúdos do Netflix, e mostrar versões 3D dos trailers nos dispositivos.

No entanto, os dispositivos tablets e smartphones estão a tornar-se cada vez mais sofisticados, acrescentando funcionalidades que aumentam a experiência de jogo. O recente anúncio da Apple sobre o Game Center para iOS, com o Tegra Zone (a ser lançado brevemente) e a Playstation Suite para Android, sugerem a emergência de um mercado para jogabilidade mais avançada nestas plataformas.

Por outro lado, a Sony fez investimentos significativos tanto no segmento smartphone como nos jogos, e parece feliz em misturar os dois mundos no recentemente anunciado Experia Play.

E como se não bastasse, para sublinhar a gravidade desta “ameaça” ao mercado tradicional de jogos, Steve Jobs apresentou recentemente o iPad 2, uma versão nova do popular tablet da Apple que contém um giroscópio, que os developers já utilizaram para fazer jogos para iPhone.

Fonte: Mobiledia