Seminário APDC sobre Mobilidade e Multimédia

Operadoras móveis nacionais não estão ainda a dar a atenção necessária aos conteúdos, continuando a basear a sua oferta na voz móvel e no mercado SMS.

Ian Mecklenburgh da BBC Technology, abriu a primeira sessão com uma keynote address sobre “Entrega de conteúdos em Tecnologia multi-canal com especial atenção ao canal móvel”, à qual se seguiram as intervenções de Christoffer Andersson da Ericsson, Vasco Matafome da HP, Pedro Chaves da Microsoft e Artur Alves da SUN Microsystems, sobre “O «empacotamento» dos Conteúdos: o Terminal e os Sistemas Operativos”. Do debate moderado por Jorge Pereira da Costa, da AT Kearney Portugal, destaque para a ideia de que embora o desafio seja grande, existe também um grande potencial de negócio na adaptação dos conteúdos para as novas plataformas, que constantemente se modificam e evoluem. O cerne da questão está em conseguir assegurar com sucesso a combinação entre as novas tecnologias e os conteúdos, deforma a atrair o consumidor. O caminho pode passar pelas parcerias estratégicas entre todos os principais players do mercado, nomeadamente, produtores de conteúdos, agregadores, operadores de telecomunicações e fabricantes de equipamentos. Outro importante aspecto é o fosso que persiste entre fornecedores e distribuidores e na cadeia de valor que engloba a criação e posterior disponibilização de conteúdos, devido à questão dos direitos de propriedade. Todavia, o mais importante será determinar com precisão quais os conteúdos de maior interesse para os vários tipos de utilizadores finais.

Indústria das comunicações sofreu uma profunda alteração com a chegada dos fornecedores de conteúdos

Para debater as “Plataformas Tecnológicas: WiFi Público, UMTS, WiMax”, a APDC convidou Virgínia Teixeira da Siemens para a Keynote Address, e José Ferreira da Cisco Systems, Sérgio Luís da Convex, Frederico Carvalho da Intel e , por fim, Pedro Duque da WeDo Consulting. A função de moderador ficou a cargo do comissário do evento, António Vidigal. Para estes oradores a indústria das comunicações sofreu uma profunda alteração, surgindo os fornecedores de conteúdos, o novo elemento da tradicional cadeia de valores. Segundo os convidados, o aparecimento de novas tecnologias de conectividade está a criar uma nova indústria onde a banda larga, a mobilidade e os preços desempenham um papel fulcral, falta, todavia, um standard estabilizado e o amadurecimento de algumas tecnologias. O WiFi público, em implementação, e o WiMax, em fase de normalização, são duas tecnologias que deverão ser encaradas como complementares de outras, nomeadamente do DSL e do UMTS – ainda em fase de arranque e longe da massificação desejada. Assim, no que respeita ao UMTS há que resolver a falta de terminais, a qualidade dos conteúdos, e os preços elevados.

Protagonistas de mercado devem contudo estar atentos a possíveis ameaças de novos standards em desenvolvimento

Ainda sobre a mesma temática, mas já na sessão da tarde, a APDC reuniu José Gomes da Optimus, Rogério Canhoto da PT WiFi, Jorge Aleluia da TMN e Francisco Cardoso da Vodafone. O keynote address ficou a cargo de Henrik Palsson, do Consumer & Enterprise Lab da Ericsson, que discursou sobre “Múltipla Tecnologia ‘always best connected’ e o consumidor final”. Neste âmbito, as principais conclusões vão no sentido de que a tecnologia só deverá ser relevante para as operadoras e a conveniência para os consumidores, pelo que é preciso dar resposta às diferentes exigências do vários segmentos de mercado. A ideia de que as tecnologias WiFi e WiMax são limitadas e com menor nível de mobilidade foi reforçada por este painel à semelhança do que aconteceu na sessão anterior, referindo igualmente que devem ser encaradas como complementares do negócio principal e não como uma ameaça de mercado. Os protagonistas do mercado devem contudo estar atentos a possíveis ameaças de novos standards em desenvolvimento, entre os quais o BWA móvel, que poderá assumir-se como alternativa ao UMTS, que implicará valores de investimentos muito mais baixos. A última sessão deste Seminário foi dedicada aos “Produtores e Distribuidores de Conteúdos”, e Piet-Hein Bakker, como Keynote Speaker, foi convidado para abrir o debate com uma comunicação sobre “O Móvel como canal complementar para os conteúdos audiovisuais”. Estiveram presentes neste último painel Guive Chafai da Alcatel Portugal, Frederico Mendes da Media Capital Multimédia, João Pedro Galveias da SIC, e António Eduardo Dias da Ydreams. António Vidigal moderou um painel no qual foi afirmado que as operadoras móveis nacionais não estão ainda a dar a atenção necessária aos conteúdos, continuando a basear a sua oferta na voz móvel e no mercado SMS. Se nada for feito neste campo, Portugal poderá ficar com um atraso significativo em relação ao resto da Europa, ficando um grupo de empresas como a Ydreams, as quais tem já uma competência reconhecida internacionalmente na área de interactividade, condenadas a trabalhar para o estrangeiro perdendo-se a possibilidade, de criar um cluster na área da mobilidade que prolongue a reconhecida competência que Portugal detém nesta matéria. Entre os conteúdos destinados para os terminais móveis, os presentes destacaram os serviços interactivos.