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Compreendo
Cabinas telefónicas móveis

Cabinas telefónicas móveis

quarta-feira, 09 outubro, 2002 /
No Bangladesh estão a ceder empréstimos às mulheres para comprarem telemóveis e servirem de cabinas telefónicas públicas nas aldeias. São apelidadas de Grameen e o esquema é simples: as mulheres candidatam-se a empréstimos (que para isso terão de colocar tudo em nome do marido) e comprar um telemóvel que servirá de apoio à aldeia em que reside. O facto de possuirem algo valioso e de grande necessidade dá-lhes outro estatuto social na comunidade, pelo que são respeitadas.

É que, em muitos destes casos, não há sequer linhas de telefone para recorrer à rede fixa. Comunicar, agora que a cobertura no país é quase total, só mesmo por telemóvel. Estes aparelhos permitem a ligação das mais recônditas aldeias do Bangladesh ao resto do mundo, sobretudo a outros países asiáticos, para onde os bangladeshis imigram muito, nomeadamente para a Arábia Saudita, Kuwait e Malásia.

Mas a dinâmica das Grameen Phone Ladies não funciona como simples cabina telefónica móvel, onde os habitantes das localidades podem recorrer para fazer chamadas. O aparelho também é receptor de inúmeras ligações, simplesmente para dar recados ou para comunicar algo mais marcante, como um nascimento ou um falecimento.

"É um exemplo perfeito da ruralidade feminina a aceder às mais modernas tecnologias para prestar um serviço útil à sociedade e aliviar, de certa forma, a pobreza", explica Abu Saeed Khan, analista de telecomunicações, adiantando que o fenómeno é ainda mais gritante se tivermos em conta que "estamos a falar de dispositivos electrónicos complexos usados por analfabetos e iletrados e que, inclusivamente, ganham com isso".

As mulheres são as únicas a poderem recorrer ao empréstimo, pois apresentam mais garantias de viabilidade do negócio. "Já consegui comprar uma televisão a cores, um frigorífico e mandar o meu filho para a escola, o que antes nunca conseguiria fazer. Já nem tenho que me preocupar com o médico porque já tenho dinheiro para pagar. E tendo dinheiro somos respeitadas", explicou Hosne Ara, uma das mulheres que se lançou no negócio das Grameens.

Resta saber como estas telecoms locais vão aguentar a concorrência. É que a taxa de penetração dos telemóveis pode, rapidamente, subir em flecha.
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