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Sociedade de Informação: Os caminhos da democracia e da cidadania em discussão

O Presidente da República sublinhou hoje a possibilidade, criada pelos novos meios de comunicação electrónicos, de uma «democracia em permanência».

«Lisboa, 10 Dez (Lusa) – O Presidente da República sublinhou hoje a possibilidade, criada pelos novos meios de comunicação electrónicos, de uma “democracia em permanência”, no último dia da conferência “Os Cidadãos e a Sociedade de Informação”. A cidadania e a sociedade de informação alimentaram a discussão do segundo dia de trabalhos da conferência realizada em Lisboa, uma iniciativa de Jorge Sampaio. Stefano Rodotà, último orador convidado, realçou a necessidade de superar a polaridade entre a democracia representativa, característica da Idade Moderna, e a democracia directa de Atenas (para alguns recuperada com as novas tecnologias), através de um novo conceito, a “democracia do público”. O investigador italiano explicou, no entanto, que apesar das novas tecnologias permitirem aos cidadãos uma maior informação sobre o campo político e a possibilidade de influenciar o seu funcionamento entre eleições, elas são também um factor de fragmentação social e podem ser convertidas em instrumentos de controlo dos indivíduos. Para reconstruir a cidadania, “uma cidadania electrónica”, é necessário, segundo Rodotà, impedir a redução do cidadão a consumidor, e “trazer a democracia representativa à sua verdadeira raíz, envolvendo as pessoas nos grandes processos de decisão”. O sociólogo Paquete de Oliveira considera central recolocar a questão da privacidade do indivíduo na era da sociedade de informação, o que é confirmado por um inquérito on-line realizado pelo ISCTE, em que 82 por cento dos inquiridos apontam a invasão da privacidade como a sua principal preocupação relativamente à Internet. Para que a democracia electrónica represente um verdadeiro reforço de participação do cidadão, é essencial que todos tenham acesso às novas tecnologias embora, de acordo com Rui Cádima, do Observatório de Comunicação, Portugal ainda se encontre na cauda da Europa em número de terminais e modems existentes. Manuel Pinto, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, retomou as ideias apresentadas quinta-feira pelo sociólogo Patrick Champagne e defendeu a importância estratégica da formação dos jornalistas, que trabalham diariamente com a informação, na área das novas tecnologias. A jornalista Diana Adringa sublinhou a necessidade desta formação, uma vez que “a maioria dos cidadãos só tem acesso à informação mediada” por estes profissionais. Quanto à Internet, considerada por Stefano Rodotà “exemplo e metáfora” da nova ordem tecnológica, foi analisada cautelosamente pela maioria dos oradores da conferência pelos perigos que coloca à privacidade dos indivíduos ou pela falta de fiabilidade da informação que veicula. “Quem é que avaliza o discurso da Net?”, interrogou, na sessão de encerramento, a jornalista Diana Adringa.»