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Sociedade de Informação: Os perigos da «ilusão tecnológica»

A sociedade moderna vive numa «ilusão tecnológica», realçou Patrick Champagne, primeiro orador convidado da conferência «Os Cidadãos e a Sociedade de Informação».

«Lisboa, 09 Dez (Lusa) – A sociedade moderna vive numa “ilusão tecnológica”, realçou Patrick Champagne, primeiro orador convidado da conferência “Os Cidadãos e a Sociedade de Informação”, a decorrer hoje e sexta-feira em Lisboa, numa iniciativa do Presidente da República. O conceito de “ilusão tecnológica”, explicou o sociólogo francês, exprime a distância que vai do discurso optimista sobre as possibilidades ilimitadas dos novos meios de comunicação acessíveis a todos os cidadãos, até à realidade que é, na maioria dos casos, bem diferente. Num discurso subordinado ao tema “Os media, as sondagens de opinião e a democracia”, Patrick Champagne procurou discutir a visão do senso comum de que as sondagens e os meios de comunicação seriam aliados da democracia. De acordo com a visão tradicional, as sondagens permitiriam ouvir a “voz do povo” de uma forma fiável e reduzir o fosso entre eleitos e eleitores. Os meios de comunicação, por seu lado, graças à revolução tecnológica, proporcionariam uma difusão mundial da informação, criando uma ilusão de transparência na sociedade. Sem negar a utilidade destas inovações para a democracia, o investigador francês procurou corrigir a tese popular, mostrando que as relações entre os sistemas políticos e os instrumentos do progresso tecnológico são mais complexas e menos unívocas do que, à partida, se poderia supor. No campo dos media, Champagne sublinhou a influência recíproca que jornalistas e políticos exercem sobre os respectivos campos. No que diz respeito às sondagens de opinião, o raciocínio do sociólogo francês é semelhante, analisando até que ponto as sondagens de opinião se podem considerar livres da influência do campo político e em que medida exercem, elas próprias, pressões sobre o processo de tomada de decisão. Patrick Champagne é membro do Centro de Sociologia Europeia e docente na Universidade de Paris1, e efectua, desde 1984, pesquisas no domínio da sociologia política e dos media, encontrando-se actualmente a realizar um inquérito sobre as alterações do campo jornalístico e o papel dos media no tratamento dos problemas ambientais.»