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Sociedade de Informação: Um Portugal moderno para todos os cidadãos – Mariano Gago

O ministro da Ciência e da Tecnologia afirmou hoje, a propósito da Sociedade de Informação, que o perigo principal para um país da dimensão de Portugal é ser moderno para apenas uma parte da população.

«Lisboa, 10 Nov (Lusa) – O ministro da Ciência e da Tecnologia afirmou hoje, a propósito da Sociedade de Informação, que o perigo principal para um país da dimensão de Portugal é ser moderno para apenas uma parte da população. José Mariano Gago, que falava na sessão de encerramento da quarta Conferência promovida pelo Núcleo Empresarial para as Tecnologias de Informação e Electrónica (NETIE) sobre a Nova Economia Digital, defendeu que a massificação dos benefícios da Sociedade de Informação é o melhor atalho no caminho para a modernização do país. O ministro disse que o Ministério da Ciência e da Tecnologia é, de facto, o Ministério para a Sociedade de Informação e que as suas apostas mais fortes nos próximos anos assentam na modernização da Administração Pública, na Educação e na certificação de competências no novo mundo da “internetização” da economia e na criação de mecanismos que permitam a abertura dos mercados. Destacou o trabalho que vem sendo desenvolvido no sentido de generalizar a Internet a todos os sectores da vida nacional e o consequente trabalho de combate à infoexclusão no quadro do papel múltiplo que, em seu entender, compete ao Estado num domínio que atravessa todas as áreas ligadas ao desenvolvimento do país. Recordou que Portugal assegura no primeiro semestre de 2000 a presidência da União Europeia (EU) e assumiu ser obrigação desse momento de liderança o relançamento da iniciativa europeia para a Sociedade de Informação. “E há muito a fazer se nos quisermos comparar com os Estados Unidos neste capítulo”, disse o ministro, assumindo que Portugal pode defender uma Europa mais próxima do desenvolvimento norte-americano nesta área. A Conferência promovida pelo NETIE permitiu uma reflexão de quadros dirigentes sobre os caminhos e as possibilidades que se abrem ao tecido empresarial português na idade da Sociedade de Informação, tendo sobressaído a noção de que o mercado de uma economia digital tem a dimensão do Mundo. Segundo o presidente da comissão organizadora da Conferência, o ex-ministro Luís Mira Amaral, a Sociedade de Informação gerou a Economia Digital e um meio de comunicação global, a Internet, que se transformará rapidamente no mais importante factor de mudança económica, social e de negócios do século. Mira Amaral notou também que apenas 2,6 por cento das Pequenas e Médias Empresas (PME) portuguesas utilizam os recursos e as possibilidades oferecidas pela Sociedade de Informação. Por que tudo o que está a acontecer nesta área tem repercussões importantes num novo mundo do trabalho que se desenha, e no modelo social europeu, o sindicalista Rui Oliveira Costa (da União Geral de Trabalhadores – UGT) aproveitou para dizer que os sindicatos admitem contratualizar a mudança que a Sociedade de Informação impõe e não temem a “internetização” da economia. O dirigente sindical afirmou também que as tecnologias de Informação poderão desencadear desemprego em países que as não dominem. Protagonistas do tecido empresarial português que já cavalgam a nova economia digital desdramatizaram, por seu lado, o véu de sucesso que envolve o mundo que conquistaram, esclarecendo que haverá pouco que inventar neste novo mundo e que o segredo da sobrevivência está na criatividade do reinventar. “Os mais rápidos serão os ganhadores”, garantiram. A Conferência do NETIE reuniu num salão de um hotel de Lisboa, entre terça-feira e hoje, 250 participantes. O NETIE é uma associação empresarial de âmbito nacional, dirigida às empresas de base tecnológica nacional do sector das Tecnologias de Informação, Electrónica e Comunicações. Criado em 1994, reúne cerca de uma centena de empresas de base tecnológica que desenvolvem as suas actividades na indústria electrónica, de software e de informação e comunicação. As actividades destas empresas, que empregam cerca de 5.000 pessoas, traduzem-se numa facturação global anual da ordem dos cem milhões de contos.»