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Entrevista com Francisco Lopes (BenQ)

Entrevista com Francisco Lopes (BenQ)

sexta-feira, 30 junho, 2006 /
Entrevista com Francisco Lopes (BenQ) Francisco Lopes, 37 anos, director-geral da Benq Portugal, deu uma entrevista exclusiva ao Telemoveis.com onde revela as apostas da marca, as tendências do mercado e fala no futuro do sector das telecomunicações. Nome: Francisco José Dias Lopes
Naturalidade: Portuguesa
Habilitações literárias: Pós-graduação em «Programa Avançado de Gestão para Executivos» pela Universidade Católica.
Primeiro emprego e percurso profissional até à actualidade: Começou na Siemens, em 1988, como Técnico de Telecomunicações, tendo passado a Gestor de Grandes Contas em 1992. Em 1997, ocupou o cargo de Director-adjunto da Área de Negócio de Sistemas de Informação e Comunicação e, um ano mais tarde, passou a Director da Área de Negócio de Terminais de Comunicação. Entre 2000 e 2005, exerce a função de Director-Geral COM GSM e, a partir de Outubro desse ano, passa a CEO da BenQ Portugal.

Telemoveis.com: Quais serão as tendências futuras do mercado de telecomunicações em Portugal?

Francisco Lopes: Acredito que, no imediato, uma das tendências mais acentuadas no mercado venha a ser a rápida disponibilização de largura de banda, cada vez mais significativa no móvel. Por isso acredito que o HSDPA pode ter um papel importante neste campo. A tão falada convergência, para além de se ter tornado quase num lugar comum no discurso das Telecomunicações, é cada vez mais um dado adquirido, quer entre fixo/móvel, quer entre Telecomunicações, Consumer Electronics e Computing.

Telemoveis.com: O que farão para as antecipar?

FL: Um dos equipamentos que iremos lançar muito brevemente, o BenQ-Siemens EF91, é um dos primeiros telemóveis com HSDPA a ser apresentado no mercado, o que confere à BenQ Mobile um papel de destaque nesta nova etapa das telecomunicações móveis. A norma HSDPA - High Speed Download Packet Access - vem revolucionar o mundo dos equipamentos móveis multimédia e acelerar significativamente o processo de transferência de dados. O BenQ-Siemens EF91 é um equipamento de vanguarda no campo da inovação tecnológica que, graças ao HSDPA, acede a fotografias, filmes e música cinco vezes mais depressa do que os telemóveis 3G. Além disso, possibilita o acesso a vídeo-clips e à televisão através da Internet e em tempo real. Temos também na calha uma série de iniciativas que visam aproveitar as competências da BenQ na electrónica do consumo. Contamos apresentar num futuro breve produtos que nos posicionem como um fornecedor óbvio para o segmento doméstico.

Telemoveis.com: A concorrência apresenta-se cada vez mais forte. Quais os vossos trunfos para ganhar mercado?

FL: A estratégia da BenQ Mobile passa essencialmente por conferir viabilidade ao negócio, explorando as forças complementares das duas marcas em termos de multimédia, design, customização para operadores e satisfação do mercado/consumidor. Queremos explorar os limites da inovação em design e tecnologia, liderando na área do 3G com o HSDPA e na área dos displays com a tecnologia OLED (lançámos também recentemente o primeiro telemóvel com display OLED, o S88).

Telemoveis.com: Em que segmentos vale agora a pena apostar?

FL: Todos os players neste mercado têm uma determinada leitura sobre como o mercado está segmentado. Operadores, fabricantes e distribuidores/retalhistas desenvolvem serviços e criam terminais para, não só satisfazerem a procura tradicional, como estimularem novas necessidades. A sofisticação da segmentação do mercado acompanha a maturidade do mesmo. Se há uns anos dividíamos o mercado em «Empresarial» e «Consumo», hoje temos uma miríade de novos segmentos e clusters de mercado que devem ser abordados, considerando a sua dimensão e potencial de crescimento tal como a sua rentabilidade imediata e futura. Acredito que, não nos distraindo das necessidades básicas representadas pelos segmentos tradicionais (o telemóvel «Empresarial», de maior pendor tecnológico, e o de «Consumo», mais orientado para o preço), temos um segmento importantíssimo a despontar no espaço doméstico, onde a convergência de tecnologias e a oferta comercial irá criar uma autêntico campo de batalha, que a médio prazo, alterará o mercado tal como o conhecemos. No fundo, há que balancear o portfolio de forma a cobrir não só o que gera riqueza hoje mas também descobrir o que gerará amanhã.

Telemoveis.com: Não se estará a chegar a um ponto de saturação ou estagnação?

FL:O que se passa é que novos objectivos são estabelecidos antes dos que perseguimos sejam alcançados: foi assim quando, depois de termos um telemóvel quisemos outro mais leve e com mais autonomia, foi assim quando depois de os termos mais leves os quisemos diferentes uns dos outros, foi assim quando as fotografias já não nos chegavam e exigimos televisão na palma das nossas mãos. E assim será daqui para a frente. Temos que compreender que a capacidade de inovação neste mercado é surpreendente e que não existe retorno no «conforto» a que nos vamos habituando enquanto utilizadores de um terminal móvel. É claro que este ritmo permitiu que a oferta de terminais e serviços se fosse adaptando ao poder de compra de cada vez mais consumidores, o que faz com que, enquanto utilizadores, tenhamos cada vez mais, se não por menos, pelo menos ao mesmo preço.

Telemoveis.com: Algumas empresas optam pela aglutinação da Península Ibérica, enquanto outras preferem uma individualização de Portugal face a Espanha. Qual a vossa posição em termos organizacionais da empresa e de apostas de mercado?

FL: A BenQ Portugal é uma filial da BenQ Mobile, reportando directamente à sede em Munique, na Alemanha. Acreditamos que a opção por este modelo de governação permite-nos estar mais próximo do nosso mercado. Acredito também que a lógica Ibérica (geográfica) tendencialmente se converterá numa lógica de organização por clientes (por afinidade de mercados) à medida que as ferramentas de gestão o permitam. Sem achar que a globalização tudo arrasará à sua passagem, acredito que a proximidade espanhola deixará de ter o peso que tem hoje enquanto centro nevrálgico dos negócios que se fazem na Península Ibérica.

Telemoveis.com: O que falta, seja em termos de iniciativas, seja ao nível de estratégias, para dinamizar ainda mais o sector em Portugal?

FL:Claro que o facto das telecomunicações terem um peso no nosso PIB superior à média europeia não nos deve coibir de tentar dinamizar ainda mais o sector. No entanto, é minha opinião que, se considerarmos o ritmo de adesão a novos serviços, os investimentos publicitários, o valor do mercado e a própria apetência do consumidor português por novas tecnologias, certamente chegaremos à conclusão de que os profissionais do sector não deixarão os seus créditos por mãos alheias. Acho que, de um ponto de vista objectivo, a sofisticação tecnológica dos terminais no que respeita às suas capacidades multimédia, portabilidade e acesso a larguras de banda significativas, abre, não só as portas a conteúdos até agora reservados às telecomunicações fixas (por exemplo vídeo on demand), como fomentará fenómenos de massas como já temos exemplos no segmento da «música portátil».

Telemoveis.com: Como imagina o telemóvel daqui a 50 anos?

FL: Daqui a cinquenta anos. bem, acho que a palavra telemóvel só existirá nos dicionários. On-line, claro está!...O telemóvel é um terminal de telecomunicações que foi inventado para funcionar numa rede móvel. Daqui a cinquenta anos, teremos vários (para não dizer muitos, imensos.) terminais que nos acompanharão para onde quer que nos desloquemos ou onde quer que estejamos, sem que saibamos a que rede estamos conectados. Vídeo, televisão, GPS com serviços adicionais, computadores com interfaces melhorados, displays flexíveis, sensíveis ao toque, teclados por projecção, terminais que dispensam displays e teclados (!), terminais que funcionam como chave do carro, da casa, do escritório, terminais que funcionam como cartão de crédito, documento de identificação civil, fiscal, profissional, de certificado de habilitações, monitores permanentes do nosso estado de saúde, protegidos por algoritmos virtualmente à prova de fraude, tudo isso fará parte do nosso dia-a-dia. Para termos uma ideia de como a nossa vida será daqui a cinquenta anos, façamos uma pequena extrapolação: imaginemos como a vida era em 1956. Agora, mesmo sendo conservadores e tomando em consideração a velocidade crescente a que nos movimentamos neste sector, admitamos que as coisas só se processarão ao dobro da velocidade com que se processaram até agora e que os 50 anos se transformam em 100: eis nos em 1906. Quem é que em 1906 pensava em telemóveis?!...
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