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Internet: Lucros só com a publicidade e o comércio electrónico

Internet: Lucros só com a publicidade e o comércio electrónico

segunda-feira, 20 março, 2000 /
Publicidade e comércio electrónico deverão ser as principais fontes de receita a esperar da Internet, afirmou hoje em Lisboa Sarah Simon, responsável da empresa de consultoria Morgan Stanley para a Europa. «Lisboa, 15 Mar (Lusa) - Publicidade e comércio electrónico deverão ser as principais fontes de receita a esperar da Internet, afirmou hoje em Lisboa Sarah Simon, responsável da empresa de consultoria Morgan Stanley para a Europa. No âmbito de um debate promovido pela Associação Portuguesa de Analistas Financeiros (APAF), Simon apresentou os resultados de um estudo da Morgan Stanley sobre a Internet na Europa. De acordo com esta análise, cerca de 55 por cento dos europeus usam um computador (em casa ou no trabalho) e, destes, cerca de dois terços navegam na Internet (35 por cento do total dos europeus). Os países da Escandinávia lideram ambos os processos, sendo o Sul da Europa a região ainda mais atrasada. No entanto, no que diz respeito ao tempo que os cibernautas passam on-line as diferenças geográficas esbatem-se, sendo 3,5 horas semanais o valor médio europeu. "Os europeus navegam, em média, cerca de 14 horas por mês contra as 30 horas dos norte-americanos", afirmou Sarah Simon, considerando que o aumento do tempo de navegação é essencial para o crescimento da Internet na Europa. Quanto ao perfil do cibernauta europeu, as diferenças entre os sexos tendem a esbater-se, embora a maioria dos utilizadores da rede continuem a ser homens. Mais de 50 por cento dos utilizadores da Internet na Europa têm menos de 35 anos e, profissionalmente, predominam os estudantes e o pessoal dos serviços. "Dentro de 20 anos, a taxa de penetração da Internet deverá atingir os 100 por cento", estimou a analista. Para que isto aconteça, a generalização de acessos alternativos ao PC é, segundo Simon, fundamental. Portugal, Espanha e Itália são, aliás, apontados neste estudo como casos em que o acesso móvel à Internet poderá ser a chave do sucesso, tendo em conta a elevada taxa de penetração dos telefones móveis em relação à de computadores pessoais. No entanto, a diminuição das barreiras de entrada aos novos utilizadores com a introdução dos acessos gratuitos no mercado europeu constituiu um passo importante. "É preciso, contudo, sublinhar que ainda não existe acesso gratuito enquanto for necessário pagar os custos telefónicos", realçou. Assim, a diminuição das receitas provenientes da subscrição de serviços pagos terá de ser compensada, segundo a analista da Morgan Stanley, pelas receitas da publicidade e do e-commerce. "Os conceitos de ISP (Internet Service Provider) e de portal tendem cada vez mais a unir-se num só, uma vez que a importância de oferecer acessos consiste em gerar mais tráfego", explicou. A banda larga é outro dos factores chave para a generalização da Internet na Europa, permitindo outro tipo de acesso e serviços como jogos on-line, videoconferências, downloads mais rápidos e video on demand, que, num futuro ainda remoto, "poderá significar o fim das estações televisivas". "A convergência entre PC e televisor vai acontecer e a Internet vai ser a grande fornecedora de conteúdos de entretenimento", afirmou. A Internet representa, segundo a análise da Morgan Stanley, o maior veículo de distribuição, em potência, de bens e serviços do mundo, sendo o comércio electrónico a modalidade de compra e venda do futuro. Ao contrário do que se poderia pensar não é o preço a categoria diferenciadora do e-commerce, sendo a comodidade e a poupança de tempo que mais atraem os compradores on-line. Na Europa, em média, pouco mais de 15 por cento dos utilizadores da Internet são compradores on-line, sendo a insegurança o principal factor de desconfiança em relação à nova forma de comércio. No entanto, embora o comércio electrónico entre empresas e consumidores deva representar 50 mil milhões de dólares em 2002 (10,4 mil milhões de contos), é no sector "business to business" (entre empresas) que as verdadeiras oportunidades vão surgir, prevendo-se um volume de negócios de 350 mil milhões de dólares (72,8 mil milhões de contos) para a mesma altura. "A possibilidade de ultrapassar as barreiras físicas, negociando apenas com os melhores, vai permitir poupar muito dinheiro", afirmou Sarah Simon. O entusiasmo bolsista por todo o tipo de empresas .com foi explicado pela analista pela pouca oferta e diferenciação ainda existente na Europa, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos em que a tendência para a concentração já se começou a manifestar.»
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