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Telemóveis cancerígenos

Os telemóveis provocam alterações genéticas no sangue humano, alertou em Lisboa um cientista norte-americano

As radiações dos telemóveis provocam alterações genéticas no sangue humano e podem aumentar o risco de cancros cerebrais e tumores no nervo auditivo, afirmou hoje em Lisboa um investigador norte-americano. George Carlo participa numa pesquisa que está a ser levada a cabo desde 1993 nos Estados Unidos, encomendada pela indústria de telecomunicações e apoiada pelo governo norte-americano e que aguarda ainda publicação científica. O investigador foi um dos participantes numa conferência internacional subordinada ao tema “Telemóveis, Radiações e Saúde e actualização das últimas pesquisas”, organizada pela Microshield, empresa que comercializa uma bolsa para telemóvel que alegadamente protege os utilizadores das radiações nocivas em cerca de 90 por cento. “Não existem dúvidas de que a utilização de telemóveis provoca danos genéticos a nível do sangue humano”, sublinhou George Carlo, afirmando que existem estudos que indicam um acréscimo dos riscos de tumores cancerígenos. No entanto, disse, os estudos não permitem ainda concluir qual o número de chamadas ou o tempo de utilização considerado de risco, pelo que aconselhou prudência aos utilizadores. O cardiologista Gentil Martins, que assistiu à conferência, afirmou não ter ficado excessivamente impressionado com estas revelações, uma vez que já se sabia que qualquer tipo de radiação tem efeitos biológicos. “Aquilo que é necessário saber é se esses efeitos são graves, se são reparáveis ou se perduram a longo prazo”, sublinhou. No entanto, o cardiologista português considerou que ainda não existem dados suficientes que permitam pôr de lado esta tecnologia e comparou este caso ao do tabaco, que continua a ser consumido por muitos mesmo estando provados os seus malefícios. Os investigadores presentes no Centro Cultural de Belém foram unânimes em considerar que um eventual perigo é mais grave para as crianças e adolescentes que utilizam telemóveis, uma vez que o seu sistema neurológico está ainda em formação. Existem cerca de 500 milhões de utilizadores de telemóveis em todo o mundo, segundo dados avançados na conferência, dos quais 5,4 milhões são portugueses. Dores de cabeça, problemas nos olhos e ouvidos, sensações de ardor/calor, alergias de pele e perda de memória são os sintomas mais frequentemente descritos aos médicos pelos utilizadores de telemóveis. Um investigador da Universidade de Washington (Seattle), Henry Lai, afirmou na ocasião, com base em testes realizados em ratos, que as radiações electromagnéticas (presentes também nos telemóveis) têm efeitos a nível do sistema nervoso central, provocando falhas de memória e alterações a nível celular. Segundo outro interveniente, Olle Johansson, do Departamento de Neurociência do Instituto Karolinska, de Estocolmo (Suécia), está provado que em contacto com as radiações as células reagem a algo, faltando estudar mais precisamente a quê.