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TV Digital: Superar limites do analógico e avançar para convergência multimédia

A televisão digital terrestre descontinua o sistema analógico, implicando novos parâmetros físicos e aplicações inovadoras para o utilizador e operadores de televisão e redes.

«Lisboa, 17 Fev (Lusa) – A televisão digital terrestre descontinua o sistema analógico, implicando novos parâmetros físicos e aplicações inovadoras para o utilizador e operadores de televisão e redes, sublinhou hoje Fernando Cruz, representante da Portugal Telecom (PT). O responsável pela implementação de novos serviços da Portugal Telecom, o representante da União Europeia de Radiodifusão, Nigel Laflin, e Peter MacAvock, do grupo de trabalho sobre Digital Video Broadcasting (DVB), integraram um dos grupos de trabalho da Conferência sobre Televisão Digital Terrestre, encarregado de discutir os aspectos tecnológicos e de mercado da nova tecnologia. “A televisão digital terrestre vai permitir superar limitações da televisão analógica como as interferências na imagem ou a fraca capacidade de transmissão de dados”, explicou Fernando Cruz. O sistema DVB-T (Digital Video Broadcasting for Terrestrial Television Transmissions) constitui a norma acordada a nível europeu (e já adoptada fora da Europa) para a difusão da televisão digital terrestre. Segundo Fernando Cruz, a flexibilidade da televisão digital é uma das vantagens chave em relação ao sistema analógico, uma vez que as várias possibilidades que oferece (em termos de recepção, qualidade, número de programas ou robustez do sistema) permite escolher, com a máxima eficácia, o modo certo para cada aplicação. Aliás, o sistema DVB-T é o único que permite além da recepção fixa, a recepção portátil e móvel. A multiplicação do número de canais, a introdução de novos serviços televisivos (pay-TV, pay per view, televisão interactiva) e a possibilidade de outros serviços (como Internet, comércio electrónico ou telemarketing) são outros dos benefícios da televisão digital. Além da melhor utilização do espectro radioeléctrico, o DVB-T vai permitir uma verdadeira convergência multimedia, uma vez que o formato digital permite a transmissão de dados, voz, imagem, o que, na opinião do representante da PT poderá dar origem a “interessantes economias de escala”. Em Portugal, a PT tem em funcionamento, desde Junho de 1998, uma rede experimental de televisão digital terrestre, com três emissores na área de Lisboa, com o objectivo de realizar estudos e demonstrações da recepção do DVB-T. A convicção de que existirá um longo período de “simulcast” (em que os sistemas analógico e digital coexistirão) é partilhada pelos vários especialistas, o que, segundo Laflin, poderá obstar a uma plena utilização do espectro e dificultar a libertação de espaço para os novos serviços. A normalização de uma Multimedia Home Platform (MHP), necessária pela convergência proporcionada pelo sistema digital, é uma das muitas questões que ainda estão por resolver neste domínio. No entanto, de acordo com Peter MacAvock, e tal como acontece com o DVB-T, a Europa lidera também o processo de normalização da MHP. As várias estratégias de implementação da televisão digital e o equilíbrio entre a eficiência económica do serviço e a necessidade de combater a infoexclusão são os temas em debate noutro dos grupos de trabalho. O Presidente do Instituto Europeu dos Media, Francisco Pinto Balsemão, e Francisco Rui Cádima, director do Observatório da Comunicação, são os oradores nacionais do terceiro grupo de trabalho, onde estão em discussão, hoje e na sexta-feira, as iniciativas e políticas comunitárias na área da televisão digital terrestre.»