TV Interactiva : O mundo ao alcance do comando, falta saber por quanto

Em Lisboa quase 500 já estão a testar este serviço.

Consultar o e-mail enquanto espreita a novela ou comprar o filme que está a ver são alguns dos serviços de televisão interactiva de que beneficiam quase 500 pessoas da Grande Lisboa.

Os serviços de televisão interactiva vão ser comercializados pela TV Cabo até ao final do primeiro semestre de 2001 e encontram-se entretanto em fase de testes.

Durante a conferência da European Broadband Communications (EBC), que começou segunda-feira e se prolonga até quarta-feira, decorre também no Centro Cultural de Belém (Lisboa) uma exibição técnica, com expositores dos principais actores do sector das comunicações de banda larga.

No expositor da TV Cabo é possível assistir a demonstrações dos serviços de televisão interactiva. Os “consumidores-cobaia”, que recebem estes serviços gratuitamente durante os primeiros 6 meses, só precisam de ter televisão por cabo e viver numa região onde exista bidireccionalidade.

“Quando o serviço for comercializado, a bidireccionalidade vai existir, pelo menos, na Grande Lisboa, Porto, Coimbra, Leiria e Aveiro”, disse à Agência Lusa o responsável do Gabinete de Comunicação da empresa.

Os utilizadores voluntários receberam em casa uma “set top box” (uma caixa de tamanho inferior ao de um vídeo e que possibilita a interactividade), um teclado sem fios e um comando em tudo semelhante aos aparelhos tradicionais.

Graças a esta “caixa digital”, o utilizador pode estar a ver televisão em modo “normal” e, com apenas um toque no telecomando, aceder ao Portal TV, com um grafismo a meio caminho entre o do televisor e do computador.

Sempre com a imagem televisiva a ocupar grande parte do ecrã, o espectador passa, a partir do portal, a ter acesso a outros serviços: o guia TV (que lhe mostra a programação por dia ou tema e possui a função de alerta para um programa previamente definido), as compras (até agora existem apenas cinco lojas associadas) ou os bancos (a Caixa Geral de Depósitos e o Banco Espírito Santo são as únicas instituições presentes, por enquanto).

O e-mail, com cinco caixas de correio, e o acesso à Internet (a partir do teclado pode-se visitar qualquer endereço da Web, existindo alguns sites, como o do Sapo, já optimizados para televisão) completam a lista de serviços por enquanto disponíveis. 
Bolsa, tempo, notícias e desporto constituem os canais temáticos que o utilizador pode consultar a qualquer momento.

As “set top boxes” (as primeiras disponíveis são da responsabilidade da Octal) permitem ainda a ligação a vários periféricos, como impressora ou rato, e poderão ter uma ranhura opcional para ler DVD ou CD.

Alguns canais ou programas são actualmente já exibidos em modo interactivo.

No Telecine, por exemplo, é possível, durante o visionamento de um filme, ter uma barra visível que informa o espectador do nome do realizador e actores principais ou do tempo que falta para terminar a película, além da possibilidade de adquirir esse mesmo filme no momento, via televisão. 
As compras podem ser feitas recorrendo ao cartão de crédito, tal como se faz na Internet, ou introduzindo um “smart card” (cartão inteligente, que poderá ser um vulgar cartão multibanco) na ranhura da set top box.

A TVI já exibe alguns programas em modo interactivo (a SIC seguir-se-á em breve), como a novela “Olhos de Água”, o “Jornal Nacional”, o “Big Brother”, jogos de futebol e o “Batatoon”.

Nos jogos de futebol, por exemplo, o utilizador pode, além de saber mais sobre os jogadores intervenientes, escolher a câmara que prefere para visionar o encontro.

No caso do programa infantil, as crianças podem, ao mesmo tempo que assistem ao Batatoon, jogar ao galo, conhecer melhor as personagens, trocar correio com outros fãs ou até votar em quem deve ser expulso da casa do Big Brother. 
Se a data de comercialização até ao final de Junho é uma promessa da empresa, os preços do serviço de televisão interactiva (ou as várias modalidades do serviço) ainda não são conhecidos, mas, garantem os responsáveis, o objectivo é conseguir “que cada português possa ter em casa uma caixa digital” que permita aceder a este mundo de serviços e conteúdos.