UE dá luz verde a projecto Galileo

A União Europeia deu, finalmente, luz verde ao projecto Galileo.

O Telemoveis.com já tinha dado conta do impasse que se vivia quanto ao avanço ou recuo do projecto Galileo, que visava o lançamento de 30 satélites de telecomunicações até 2008, orçado em cerca de três mil milhões de euros. Este projecto não contou com o agrado do Governo norte-americano porque o sistema entra em concorrência directa com o GPS e, soube-se agora, pode interferir com a versão acutalizado do novo sistema de comunicações militares da maior potência mundial.

No entanto, nada disso foi suficiente para travar as intenções dos 15 que, mais uma vez, deram uma prova de verdadeira união, sobretudo numa questão estratégica como é o caso da independência em telecomunicações por satélite. Nem mesmo a renitência demonstrada por parceiros de peso como foi o caso da Alemanha, Holanda, Dinamarca, Aústria, Suécia e Reino Unido, deu azo a que o projecto ficasse na gaveta, onde esteve desde que foi apresentado há três anos.

Mas foi, precisamente, o “empurrão” dos alemães que fez o processo arrancar quando os responsáveis políticos germânicos anunciaram, antes mesmo da cimeira de líderes europeus este mês, que “era de uma importância política, estratégica e económica considerável” que a Europa tivesse o seu próprio sistema.

A discussão deste ponto teve o seu momento alto, quando a Comissária dos Transportes, a espanhola Loyola de Palacio, ameaçou retirar o projecto caso não se aprovasse rapidamente. Ultrapassado o problema da aprovação, falta agora discutir o estatuto da futura Empresa Comum Galileo. Em causa está a entrada (ou não) de privados no projecto, uma vez que esta ideia é defendida pela Comissão, mas tem o voto contra do Reino Unido e da Holanda. O assento de entidadades privadas no Conselho de Administração da futura empresa vai criar alguns contrasensos, mais tarde, na abertura de concursos públicos, alegando os dois países contra que seriam uma espécie de advogados em causa própria.

O mais importante está definido. O projecto vai mesmo seguir em frente e os norte-americanos terão, mesmo, concorrência no GPS.