UMTS não traz nada de novo

O Financial Times interceptou uma fuga de informação da British Telecom sobre o sistema UMTS: não vai trazer nada de novo.

O documento é um memorando interno da casa mãe, British Telecom (BT) para a sua divisão de comunicações móveis, agora rebaptizada com a designação mmO, e dá conta da triste situação em que se encontra o mundo do UMTS, já amplamente referenciado no Telemoveis.com.

Em plena euforia de telemóveis, onde o crescente número de utilizadores fazia engordar as bases de dados das empresas de telecomunicações móveis, deu-se um fenómeno inacreditável: o preço pago pelas licenças para operar com aparelhos de 3G. Um investimento que, à partida, só poderia ser rentabilizado a médio/longo prazo.

No entanto, esta informação da BT à sua divisão de comunicações móveis só vem confirmar o que todos temiam. Afinal, os telemóveis 3G poderão não ser tudo aquilo que as pessoas procuram, a juntar ao facto da tecnologia estar a criar alguns embaraços aos próprios operadores. Aliás, tem de se recordar que o UMTS já deveria estar um funcionamento no Japão desde Maio mas, precisamente por problema técnicos, foi adiado.

A culpa não será tanto dos operadores, mas dos fornecedores de infra-estruturas já que, a provar-se a falta de melhorias tecnológicas significativas, em relação ao GSM, as responsabilidades vão inteirinhas para as empresas encarregues de desenvolver o sistema. É o que dá estarem dependentes de terceiros.

Mas este tipo de avisos não devia escandalizar ninguém. Já em Fevereiro, a Orange tinha alertado para o atraso que o UMTS teria, para poder entrar em funcionamento em pleno. E a concorrente da BT ainda vai mais longe. Prevendo exactamente uma falha, e dado o elevado número de fornecedores diferentes que existem, seria de esperar que “os resultados operacionais do grupo (empresas operadoras de telemóveis) fossem materialmente afectados e de forma adversa, caso os fornecedores não entregassem atempadamente o equipamento adequado”, referia um prospecto da Orange.

Está-se mesmo a ver que nem atempadamente, nem o equipamento necessário foi entregue. E todos os operadores têm Janeiro de 2002 como meta para colocar em serviço o sistema UMTS.

P.F.