Walkiemoveis em Portugal

É a grande loucura das comunicações móveis em todo o mundo e chegou a Portugal pelas mãos da Yorn. Chama-se Push to Talk e promete transformar telemóveis em walkie talkies sem limites de alcance.

É a grande loucura das comunicações móveis em todo o mundo e chegou a Portugal pelas mãos da Yorn. Chama-se Push to Talk e promete transformar telemóveis em walkie talkies sem limites de alcance.

A tecnologia Push to Talk over celular (PTT) está prestes a entrar em Portugal, ainda que a título experimental. Tudo graças a um passatempo inédito promovido pela Vodafone que decorreu entre 23 de Agosto e 12 de Setembro. Denominada Yorn Walkie Talkie, por se destinar a clientes desta marca, a promoção tem como objectivo seleccionar 50 utilizadores que, a partir de 15 de Outubro, irão ajudar a testar a nova tecnologia. Para participar na experiência, cada cliente Yorn tem de se juntar a quatro outros utilizadores da mesma marca ou da Vodafone e criar um grupo. Posteriormente, tem de enviar um SMS para o nº 1848 (gratuito) com a palavra GRUPO seguida de espaço e do nome do grupo (máximo 10 caracteres), devendo depois seguir as instruções para registar os restantes quatro elementos. Os 10 grupos com mais tempo de conversação entre os seus elementos serão seleccionados para testar, gratuitamente e durante três meses, o Yorn Walkie Talkie com o novo telemóvel Nokia 5140, que a Yorn também oferece. O período para o apuramento dos 10 grupos mais faladores decorre entre 13 e 30 de Setembro. Paralelamente, a operadora está em fase de testes com clientes empresariais.

A nova tecnologia possibilita a utilização de um telemóvel como se de um vulgar walkie talkie se tratasse, com algumas funcionalidades extra. Isto significa que, ao pressionar o botão específico de PTT de um telefone celular que suporte esta tecnologia, a comunicação de voz é transmitida simultaneamente para um ou mais destinatários, que podem responder da mesma forma. A PTT é uma tecnologia «half-duplex» pelo que só permite comunicação de voz num sentido de cada vez. Contudo, possibilita optar entre falar para um grupo de utilizadores previamente configurado ou constituído a posteriori ou comunicar com apenas um dos contactos, oferecendo uma privacidade que não faz parte da ementa dos walkie talkies tradicionais. Outro factor de diferenciação, pela positiva, é a possibilidade de comunicação com utilizadores dispersos pelo mundo, já que funciona sobre GPRS.

A experiência visa ajudar a Vodafone a testar a utilização do serviço em tempo real para definir as características finais do produto. O lançamento comercial vai depender dos resultados, estudos de mercado sobre a procura do serviço e da maturidade da tecnologia, sendo que a marca estima que possa ocorrer no segundo semestre de 2005. Luísa Pestana, directora de comunicação institucional, apoio à gestão e responsabilidade social da Vodafone, adiantou ao «Telemoveis.com» que a operadora já tem «algumas ideias sobre a definição da oferta comercial», mas prefere esperar pelo teste para «aferir qual a melhor forma de taxar o serviço e qual o modelo mais adequado.» Embora admita que o pricing ainda não está definido, a responsável revela que a oferta para individuais e empresas será diferenciada.

À primeira vista poderão não ser óbvias as vantagens desta tecnologia, mas Luísa Pestana levanta a ponta do véu: «Trata-se de mais uma tecnologia de comunicação, um serviço que se situa entre a voz e o SMS. Sobre este último apresenta a vantagem de não ser necessário digitar a mensagem, tratando-se de uma comunicação mais emotiva e pessoal. Sobre a voz, tem o benefício de o utilizador não ter que estar a marcar o número ou a procurar na agenda, bastando premir um botão, sendo que, por outro lado, permite falar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.» Além disso, acrescenta, «sobre o walkie talkie, apresenta a vantagem de utilizar a cobertura nacional (GPRS) e internacional (acordos de roaming GPRS) da Vodafone Portugal já que é sabido que para falar no sistema de walkie talkie a distâncias superiores a três quilómetros é necessário pagar pela frequência de rádio utilizada.» No que toca às empresas, o PTT apresenta iguais vantagens, especialmente para companhias com colaboradores no terreno como as que organizam eventos, as transportadoras e as utilities (serviços de abastecimento de água, electricidade, gás e outros). «Esta é uma tecnologia com bastante potencial e, se os resultados do teste forem satisfatórios, é expectável que a evolução natural seja o lançamento comercial do serviço», refere Luísa Pestana, advertindo que, «no entanto, isto só acontecerá quando estiverem reunidas as condições necessárias, nomeadamente, standards bem definidos, diversidade de equipamentos e interoperabilidade entre os mesmos.»

“PTT no mundo”

O Push to Talk é uma das mais vincadas tendências actuais no que respeita ao mundo das comunicações móveis. Há poucas semanas, a operadora britânica Orange lançou o seu primeiro serviço comercial no Reino Unido, após nove meses de testes. Em Singapura, as experiências para estudar a viabilidade desta forma de comunicação começaram em Julho e nos EUA, onde o serviço é mais popular, a Nextel já possibilita o envio de mensagens de voz em PTT aos seus clientes via correio electrónico. Na Índia, o serviço foi lançado em Maio e já abrange todo o sub-continente, enquanto em «terras do Tio Sam» o Push to Talk ocupa o segundo lugar na lista de preferências de serviços de telemóveis. Em Portugal, resta esperar para ver.