WAP: Revolução ou Desilusão?

Mal nasceu e parece que já o querem enterrar! Saiba porquê.

Após toda a excitação inicial sobre o WAP e as possibilidades do novo sistema, começam a surgir as vozes critícas. Jakob Nielsen, um conhecido especialista sobre questões de usabilidade da Internet e telemóveis, descreve este sistema num artigo como sendo a “abordagem errada sobre a portabilidade”. Será o WAP uma “aberração temporária que oferece serviços abaixo dos padrões”, conforme descrito pela maioria dos participantes na conferência NetMedia2000 que decorreu na semana passada em Londres? Quais são as principais críticas feitas por Nielsen a este sistema europeu?

Problemas de Comunicação

Uma das principais limitações do WAP, assumida desde o início, é o facto de ser um “micro-browser”, que apenas pode apresentar informação escrita sobre o formato WML. Isto significa que, para se poder aceder à informação, as operadoras e companhias têm de desenvolver conteúdos próprios para WAP ou adaptar os existentes. Mas os reparos feitos abrangem uma outra série de dificuldades com que os utilizadores do sistema se deparam actualmente, como telefones que não funcionam e serviços com problemas. Outra limitação grave são as velocidades lentas e a necessidade de fazer uma nova chamada sempre que o telemóvel precisa de se conectar. Isto tudo implica que, muitas vezes, é mais fácil aceder à informação que necessitamos através de uma chamada telefónica normal, do que através do WAP. E como já se tem um telemóvel ali à mão…..

Questões de Formato(s)

Olhando o formato normal de um telemóvel, podem-se observar duas coisas, a primeira das quais é o tamanho reduzido do ecrã, o qual limita seriamente as capacidades do sistema. A segunda é o facto de para se introduzir dados é preciso utilizar um teclado pequeno, o qual ainda por cima apenas é numérico, sendo necessária uma ginástica digital (de dedos, digamos) para se conseguir escrever uma frase.
Mais ainda, não existe um formato “standard” de telemóveis. Todos variam no tamanho do ecrã e na forma como estão desenhados para serem utilizados. O que significa que os conteúdos, para poderem ser disponíveis a uma grande escala, têm de possuir várias versões de forma a que sejam compatíveis com as várias restrições e formas de uso de cada modelo. Cada serviço WAP tem de ser assim adaptado a cada aparelho, de forma a que possa funcionar mesmo quando o suporte técnico é fraco. A conclusão de todo este processo? Será mais difícil e caro o lançamento de serviços dentro do WAP, do que utilizando um browser normal. A grande vantagem da Internet sempre foi a sua acessibilidade, não importando o suporte utilizado para a sua visualização.

A Atitude das Operadoras

Em muitos casos, as próprias operadoras limitam os conteúdos a que é possível aceder, de forma a poderem rentabilizar os custos do sistema. A forma de fazer isto? Ao criarem sistemas fechados de WAP, onde apenas é permitido o acesso a “sites” que tenham acordos com as companhias telefónicas. Nielsen designa esta situação de uma “violação das leis anti-trust”, em que as companhias monopolizam e actuam de forma lesiva aos consumidores. E acusa as operadoras europeias de “estarem prontas a destruir 90% das possibilidades da Internet móvel, de forma a poderem cobrar direitos de monopólio sobre os restantes 10%”, para além de estarem a limitar a liberdade de expressão.

WAP: que futuro?

Nielsen descreve como a atitude face ao WAP está a mudar na Europa. A excitação inicial foi-se esbatendo, à medida que as limitações se foram tornando cada vez mais óbvias e incontornáveis. Os próprios “web designers” preferem agora usar o termo “Internet Móvel”, de forma a se prevenirem e não ficarem conotados com um possível fracasso do sistema. A ênfase agora deixou de ser o WAP para passar a ser alternativas que ofereçam ecrãs maiores e ligações não só mais rápidas como permanentes.
Nielsen destaca ainda o sistema I-mode, utilizado actualmente no Japão pela operadora NTT DoCoMo, que apesar de utilizar a mesma tecnologia tem vindo a se implantar no mercado com grande sucesso. O motivo do êxito? Ser mais barato e simples, oferecer acesso permanente e uma política de abertura do sistema em termos comerciais. Isto levou que existam cerca de 600 mil novos assinantes a cada mês e cerca de 13 mil “sites” que permitem aceder a todo o tipo de serviços, sendo depois cobrados através da conta telefónica. O sucesso deste sistema leva a que poderá vir a competir com o WAP na Europa, tendo a operadora já começado a estabelecer parcerias com a Microsoft e a Sun, para além de ter adquirido participações nas operadora móvel holandesa KPN. O fim do WAP à vista? O futuro o dirá…..