5G Advanced: o que muda nos smartphones em Portugal?
- Jeniffer Elaina
- 08/09/2025
- Mobile, Tecnologia
A promessa do 5G Advanced (também chamado de “5.5G” em alguns meios) não é só mais velocidade — é uma evolução técnica importante que trará mudanças concretas na experiência móvel. Portugal, já com redes 5G em afirmação, prepara-se para surfar nesta próxima onda.
Neste artigo, vamos ver o que é o 5G Advanced, quais são as suas inovações principais, como irá afectar os smartphones e o que os utilizadores portugueses devem esperar.
O que é 5G Advanced / Release 18
O 5G Advanced corresponde ao Release 18 definido pelo 3GPP — o organismo que estabelece os padrões para as redes móveis.
Alguns dos pontos-chaves:
- Melhoria do desempenho de radiofrequência: melhor cobertura, melhor desempenho em locais onde o sinal é fraco ou em movimento rápido.
- Evolução de antenas (MIMO) para lidar melhor com múltiplas transmissões e recepções.
- Maior eficiência energética, tanto na rede como nos dispositivos.
- Posicionamento mais preciso: uso de técnicas novas, agregação de banda para medir sinal, localização entre dispositivos (sidelink), etc.
- Melhor suporte para IoT (Internet das Coisas) de diferentes tipos, incluindo dispositivos mais simples ou com menor capacidade, que exigem baixo consumo energético (RedCap)
Em suma, o 5G Advanced não é uma tecnologia completamente nova, mas sim uma série de melhorias e extensões ao 5G atual, que já está em uso em muitos países — Portugal incluído.
O que vai mudar para os utilizadores de smartphones em Portugal
Para quem usa telemóvel no dia a dia, estas inovações do 5G Advanced poderão não dar-se a ver imediatamente em cada funcionalidade, mas os impactos serão acumulativos, e já visíveis em certas situações. Eis algumas mudanças práticas:
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- Realidade aumentada e estendida (XR): aplicações que misturam mundo real e digital de forma mais imersiva.
- Localização ultra precisa: para logística, serviços baseados em localização (ex: entrega de drones, realidade aumentada de precisão, apps que dependem de saber exatamente onde estás).
- IoT mais variada: sensores inteligentes, dispositivos wearables mais simples, gadgets domésticos que consomem menos energia e podem operar em rede mais eficiente.
- Funcionalidades de comunicação direta entre dispositivos (sidelink) que permitem, por exemplo, partilha ou interacção sem passar por torre, o que pode ter utilidade em eventos, concertos, aplicações de segurança, emergências, etc.
- Realidade aumentada e estendida (XR): aplicações que misturam mundo real e digital de forma mais imersiva.
O panorama em Portugal
Até agora, Portugal tem feito progressos com o 5G “normal” (Release 15/16/17). Operadoras como a NOS já cobrem praticamente todo o território, ou pelo menos grande parte da população.
Para tirar proveito pleno do 5G Advanced, serão necessárias algumas condições:
- Smartphones compatíveis com Release 18 ou com funcionalidades que permitam actualizações de firmware (hardware depende muito do chip)
- Rede das operadoras adaptada: infraestruturas, estações rádio, espectro adequado, redes core 5G standalone (SA) para certas funções mais avançadas.
- Tarifários e planos que permitam mais dados, velocidades elevadas, e cobertura adequada para essas tecnologias.
Uma boa notícia: fabricantes já começam a lançar chips e smartphones com suporte para 5G Advanced, ou com capacidade de actualização. E as operadoras europeias tendem a adoptar Release 18 nos próximos anos, de modo gradual.
Limitações & desafios
Para tornar tudo isto realidade, há obstáculos:
- Investimento de rede — atualizar as estações rádio, antenas e “rede central” não é trivial nem barato.
- Cobertura desigual — mesmo em 5G actual há zonas onde o sinal é fraco. Para 5G Advanced, será necessário mais infraestrutura ou melhor tecnologia de antenas.
- Compatibilidade de dispositivos — nem todos os telemóveis 5G actuais suportarão todas as novas funcionalidades. Alguns terão de ser substituídos por modelos mais novos.
- Consumo energético vs desempenho — embora haja promessas de maior eficiência, usar velocidades elevadas, múltiplas antenas e aplicações exigentes vai continuar a consumir bateria (ou ao menos exigir optimizações cuidadosas).
- Regulação e espectro — alocar espectro suficiente, regulamentos para permitir novos modos (ex: uso de bandas não licenciadas, regras para “sidelink”, etc.).
O que deves verificar se quiseres estar preparado
Se estás pensando em comprar um smartphone novo ou actualizar o teu uso para tirar partido do 5G Advanced, estas são algumas coisas práticas a verificar:
- Verificar se o dispositivo indica suporte para 5G Release 18 / 5G Advanced ou que o chip esteja pronto para evoluções (às vezes marcado como “NR-Advanced” ou similar).
- Verificar as bandas de frequência usadas em Portugal para 5G e se o telemóvel as suporta. Bandas como 3.5 GHz são importantes para boa velocidade e cobertura.
- Atenção à eficiência energética: modelos com boas práticas de gestão de energia, antenas boas, firmware actualizado.
- Cobertura local: se moras numa zona rural ou em edifícios densos, confirma se a tua operadora já está a melhorar o 5G nessas regiões.
- Tarifas de dados: planos com mais dados ou específicos para 5G; algumas operadoras podem ter planos optimizados para 5G Advanced ou cobrindo mais gigas.
Fique atento!
O 5G Advanced representa um passo natural, mas substancial, na evolução das redes móveis. Portugal está bem posicionado para beneficiar — especialmente nas grandes cidades, nas zonas com cobertura já robusta, e entre utilizadores exigentes (gamer, criadores de conteúdo, profissionais que dependem de conectividade móvel).
Não será uma mudança de um dia para o outro, mas sim um processo gradual: dispositivos novos, upgrades de redes, plano económicos ajustados. Se estás a pensar em investir num novo telemóvel, ou simplesmente manter-te “actualizado”, vale a pena prestar atenção às funcionalidades do 5G Advanced — porque será ele (ou parte dele) que vai dar forma à próxima década de conectividade.